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Carnaval BH 2026: ligas e associações de blocos criticam ‘priorização de megashows’ pelo poder público

30/01/2026 às 18h14 - Atualizado em 30/01/2026 às 18h50
(Igor Ribeiro/BHAZ)

As ligas, associações, blocos de rua e coletivos carnavalescos de Belo Horizonte divulgaram, nesta sexta-feira (30), uma nota de repúdio à “priorização de megaeventos” e à valorização de grandes produtores e de iniciativas artísticas de fora do estado por parte do poder público. Segundo o manifesto, a política ocorre em detrimento do fortalecimento e do fomento contínuo de grupos culturais locais e foi motivada pela divulgação da programação oficial do Carnaval na capital mineira. Em nota ao BHAZ, a Belotur informou que as contrações de artistas de fora da cidade e estado são feitas com recursos próprios de produtores ou parceiros privados.

A nota foi assinada pela Liga Belorizontina, pela Santa Tereza Independente Liga (Si Liga), pela Liga dos Blocos de Rua e de Luta de Belo Horizonte (Bruta), pela Associação dos Blocos de Rua de BH (Abra) e pela Associação dos Blocos Afro de Minas Gerais (Abafro).

Conforme as associações, apesar dos cortejos de rua, espalhados em diferentes regionais de BH, seguirem com pouco apoio e sem políticas permanentes de fomentes, artistas de projeção nacional foram anunciados na programação oficial, “a maioria sem qualquer ligação orgânica com a cena carnavalesca” da capital mineira.

Neste ano, estão previstos desfiles de quase 500 blocos em Belo Horizonte, durante o período oficial do Carnaval em 2026. Entre os artistas anunciados pela PBH estão Marina Sena, Michel Teló, Zé Felipe, Nattan, Xamã e Luísa Sonza.

‘Festa é fruto do ecossistema cultural’

Ainda segundo o manifesto, o atual modelo de gestão pública, tem priorizado os grandes shows, o que descaracteriza a festa e ameaça a sustentabilidade econômica e cultural dos agentes da capital. “Os blocos e artistas locais convivem com escasso apoio público e a falta de patrocínios privados, mesmo com empresas lucrando enormemente com a cidade lotada de foliões locais e turistas”, disse.

A nota mencionou ainda que a popularidade do Carnaval de BH, que se tornou o terceiro destino turístico do Brasil, foi erguida pelos artistas, produtores, técnicos, ambulantes e foliões.

“Essa festa plural, democrática e segura, que Minas Gerais hoje tanto se orgulha, é fruto de um ecossistema cultural local que, mesmo com apoio escasso e sem políticas públicas permanentes, ensaia, cria e se apresenta durante todo o ano, gerando renda para a cadeia produtiva da cultura”, afirmou.

As associações exemplificaram o show do DJ Alok, no Carnaval de 2025, que “resultou em episódios de violência”. Conforme a nota, o evento foi divulgado pelo poder público como “uma política de sucesso a ser replicada agora em 2026”.

“Repudiamos, portanto, a priorização de megaeventos financiados com dinheiro público em detrimento do fortalecimento estrutural dos realizadores locais. Exigimos transparência nos critérios de aplicação dos recursos, participação social nas decisões e um modelo de Carnaval que valorize e invista nos blocos de rua, escolas de samba e blocos caricatos, que fazem a festa acontecer nas ruas, de forma descentralizada e popular”, finalizou.

O que diz a Belotur

Em nota ao BHAZ, a Belotur informou não haver “qualquer priorização aos megaeventos ou investimento adicional de recursos públicos municipais nas atrações nacionais do Carnaval de BH”.

“O principal instrumento de fomento do poder público ao Carnaval é o Edital de Auxílio Financeiro, voltado exclusivamente para os blocos de rua da capital, além das escolas de samba e dos blocos caricatos”, escreveu.

Além disso, a autarquia comunicou que as contratações de artistas de fora da cidade ou estado são feitas pelos organizadores dos blocos, “com recursos próprios ou de parceiros privados”.

“Cabe ressaltar que não compete ao poder público municipal interferir ou vetar escolhas artísticas feitas pelos organizadores, caso estejam conforme a legislação vigente e com as regras estabelecidas para o Carnaval”, afirmou.

O BHAZ procurou o Governo de Minas, e aguarda retorno.

Auxílio da PBH

Neste ano, o chamamento público da PBH, que concede auxílio financeiro para os blocos de rua desfilarem no Carnaval de BH 2026, contemplou 105 agremiações. A lista foi publicada no Diário Oficial do Município no dia 7 de janeiro, 24 dias antes do período oficial da folia. (Veja a lista).

O investimento global foi reajustado em cerca de 7% para 2026, totalizando mais de R$ 3,21 milhões. O valor foi distribuído em 3 categorias:

  • Categoria A: R$ 41,5 mil (até 50 blocos contemplados)
  • Categoria B: R$ 24,1 mil (até 35 blocos contemplados)
  • Categoria C: R$ 14,6 mil (até 20 blocos contemplados)

Veja nota da Belotur na íntegra


A Belotur esclarece que não há qualquer priorização aos megaeventos ou investimento adicional de recursos públicos municipais nas atrações nacionais do Carnaval de BH. O principal instrumento de fomento do poder público ao Carnaval é o Edital de Auxílio Financeiro, voltado exclusivamente para os blocos de rua da capital, além das escolas de samba e dos blocos caricatos.

As contratações de artistas de fora da cidade ou do estado são realizadas pelos organizadores dos blocos, com recursos próprios ou de parceiros privados. Cabe ressaltar que não compete ao poder público municipal interferir ou vetar escolhas artísticas feitas pelos organizadores, desde que estejam em conformidade com a legislação vigente e com as regras estabelecidas para o Carnaval.

O Carnaval de Belo Horizonte se consolidou como uma manifestação cultural diversa, democrática e construída coletivamente, que garante espaço a todos os blocos interessados em desfilar na cidade. Cabe à Prefeitura de BH assegurar, de forma isonômica e equitativa, a infraestrutura necessária para a realização da festa, independentemente do porte ou do perfil artístico de cada bloco, com serviços como limpeza urbana, ordenamento do trânsito, segurança, apoio operacional e disponibilização de banheiros químicos.

A Belotur reafirma seu compromisso com o fortalecimento contínuo da cultura local, com a escuta permanente dos blocos e com o aperfeiçoamento das políticas públicas para o Carnaval, mantendo o diálogo aberto e transparente com todos os agentes que constroem essa festa.

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
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