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Adolescente preso por chacina em padaria da Grande BH tem liberdade concedida nesta quinta

12/02/2026 às 14h15
Chacina em padaria: defesa de adolescente apreendido alega inocência e 'erro judiciário'
Crime ocorreu em 4 de fevereiro, em Ribeirão das Neves, na Grande BH. (TV Globo/Reprodução + Imagem cedida ao BHAZ)

A Justiça de Minas Gerais concedeu liberdade para o adolescente de 17 anos, preso como principal suspeito do caso de triplo homicídio em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A informação foi confirmada pelo advogado do adolescente, que afirmou que ele só será liberado após os trâmites de proteção à vítimas e familiares.

A decisão apresentada nesta quinta-feira, foi acatada após pedido de liberdade do Ministério Público de Minas Gerais por ausência de provas e presença de álibis.

O advogado do adolescente, de 17 anos, apreendido no dia 4 de fevereiro, afirmou que não há provas de que ele seja o autor do crime. Em conversa com o BHAZ, Gilmar Francisco classificou a apreensão como o “maior erro judiciário de Minas Gerais” e disse que a família do jovem vem sofrendo ameaças. O pedido de liberdade foi encaminhado ao Ministério Público (MPMG) na última segunda-feira (9), acompanhado de evidências.

Um homem, de 30 anos, foi preso nessa quarta-feira (11) sob suspeita de matar as três mulheres na padaria. Além de ser reconhecido por uma testemunha do crime, ele teria confessado a autoria do triplo homicídio, além de uma tentativa de homicídio registrada no dia seguinte.

Defesa de adolescente alega inocência

“O que inocenta o meu cliente é a ausência de provas. Isso contraria o que a juíza afirmou na decisão, ao alegar que a prova de autoria seria o Boletim de Ocorrência (BO). No entanto, o registro policial não constitui prova. Além disso, não foram apreendidos com ele capacete, roupas ou arma, nem há relato de testemunha que o tenha reconhecido”, disse ao BHAZ.

O advogado também alegou que houve inversão no processo, já que o jovem teria sido apreendido antes da conclusão das investigações. “Na verdade, a família inteira fez o papel da polícia, pois precisou buscar imagens que mostrassem que o meu cliente não estava na padaria. Ou seja, tiveram que investigar e provar que não era o menor para, só depois, os policiais irem atrás do verdadeiro autor. Esse é o maior erro judiciário de Minas Gerais”, afirmou.

A defesa reiterou a versão apresentada pelos familiares do adolescente. Segundo Gilmar Francisco, por volta das 20h30, o jovem saiu de casa e foi até uma mercearia do bairro para comprar bebidas e cigarros para a mãe.

“Ele ainda comprou um hambúrguer, fez um lanche no local e, em seguida, levou os produtos para casa. Esse trajeto teria ocorrido entre 20h28 e 20h42 e foi registrado por câmeras da rua. Já o ataque à padaria, conforme o BO, aconteceu por volta das 20h39”, afirmou.

Relembre o caso

Testemunhas relataram que o autor do crime usava uma touca e um capacete quando entrou no local, que fica no bairro Lagoa, e atirou contra as vítimas. A jovem, de 17 anos, estava no caixa no momento do ataque e foi atingida por dois tiros: um na cabeça e outro no braço. Já a mulher, cliente da padaria, levou dois tiros nas costas.

Emanuely Geovanna, de 14 anos, foi encaminhada em estado grave ao Hospital em Risoleta Neves, em Venda Nova, mas morreu na unidade de saúde. Ela sofreu deu entrada com perfurações na cabeça, no braço direito e na perna.

Ana Júlia, irmã de Emanuely, a estava no local e presenciou o ataque. Em depoimento, ela relatou que o atirador seguiu em sua direção após disparar contra as primeiras vítimas. Ela disse que pediu para não ser morta e que, nesse momento, ele teria feito um gesto de deboche, colocando os polegares nas bochechas e mostrando a língua. Na sequência, fugiu de moto.

Lavínia Fernandes

Jornalista formada pela PUC Minas. Publicou um artigo sobre alfabetização midiática pela Intercom. Foi estagiária de assessoria de comunicação na ALMG. Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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