O agronegócio representou 24,1% do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais em 2025, a maior participação do setor na economia estadual desde o início da série histórica, em 2010. O resultado foi divulgado pela Fundação João Pinheiro (FJP) e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) à imprensa nesta sexta-feira (3). O crescimento é atribuído, principalmente, à valorização das commodities agrícolas e ao desempenho de culturas como café, soja e milho.
Apesar do crescimento, representantes do setor alertaram para desafios que podem comprometer as próximas safras, entre eles a possibilidade de um super El Niño e as dificuldades de acesso ao crédito rural.
Segundo o estudo, o agronegócio mineiro cresceu 1,7% em volume em 2025, acima da expansão de 1,4% registrada pela economia do estado. Já os preços dos produtos do setor avançaram 16% no período, enquanto o restante da economia teve variação de 7,7%, fatores que contribuíram para elevar a participação do agronegócio no PIB estadual ao maior patamar da série.
Os dados apresentados pela Fundação João Pinheiro mostram que o café teve papel decisivo no resultado. O preço médio do grão aumentou 65,8% em relação a 2024. Também houve crescimento da produção de soja, que passou de 7,7 milhões para 9,2 milhões de toneladas, e do milho, de 6,6 milhões para 7,1 milhões de toneladas. O levantamento também aponta expansão em atividades ligadas à agroindústria, comercialização, transporte, armazenagem e serviços relacionados ao setor.
Responsável pela apresentação dos dados, o pesquisador Raimundo Leal, da Fundação João Pinheiro, afirmou que, desde 2020, os preços dos produtos do agronegócio vêm crescendo em ritmo superior ao restante da economia. Segundo ele, ainda não é possível afirmar que essa seja uma mudança estrutural, mas os resultados dos últimos anos levantam a hipótese de que restrições na oferta, associadas às mudanças climáticas, possam manter os preços das commodities em níveis elevados por mais tempo.
Super El Niño entra no radar do agronegócio
Embora os números de 2025 tenham sido considerados positivos, a possibilidade de um super El Niño foi apontada como um dos principais fatores de preocupação para os próximos ciclos agrícolas.
O presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio Pitangui de Salvo, afirmou que ainda não há confirmação de que o fenômeno ocorrerá com a intensidade prevista, mas explicou que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico está sendo monitorado. Segundo ele, se o cenário se confirmar, as culturas temporárias, como milho e soja, tendem a sofrer mais, principalmente em áreas sem irrigação.
De acordo com Antônio, a recomendação aos produtores é reforçar o investimento em tecnologia e adotar estratégias que aumentem a resistência das lavouras. A irrigação também foi apontada como uma das principais alternativas para reduzir os impactos de períodos prolongados de estiagem.
Durante a coletiva, o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, afirmou que o governo já discute medidas preventivas diante da possibilidade do fenômeno climático, em conjunto com a Defesa Civil.
Plano Safra preocupa produtores
Outro tema que concentrou parte da coletiva foi o Plano Safra 2026/2027. Apesar do resultado histórico do agronegócio mineiro, representantes da Faemg avaliaram que o cenário para os próximos anos exige cautela.
Segundo Antônio de Salvo, o volume de recursos disponibilizado para o financiamento da produção continua abaixo da necessidade do setor. Além disso, ele citou a redução dos recursos subsidiados, a baixa oferta de seguro rural e o aumento dos custos de financiamento como fatores que podem limitar novos investimentos.
Na avaliação da entidade, a combinação entre crédito mais restrito, custos elevados de produção, incertezas climáticas e oscilações do mercado internacional pode afetar o desempenho da próxima safra. Ainda assim, o setor atribui o crescimento registrado em 2025 à diversificação da produção, ao avanço tecnológico nas propriedades rurais, à expansão da irrigação e ao fortalecimento de cadeias como a cafeicultura, a produção de grãos, a silvicultura e as agroindústrias de pequeno porte.










