Um vagão do metrô de Belo Horizonte saiu dos trilhos entre as estações Eldorado e Novo Eldorado, em Contagem, na manhã desta sexta-feira (3). O incidente ocorreu no mesmo dia em que a concessionária Metrô BH e o Governo de Minas Gerais inauguraram mais duas estações da Linha 2 do sistema: Nova Suíça e Amazonas.
Em nota ao BHAZ, o Metrô BH informou que, devido a um incidente técnico na via entre as estações Eldorado e Novo Eldorado, a circulação de trens nesse trecho foi temporariamente interrompida.
“Neste momento, os passageiros estão desembarcando na Estação Eldorado, enquanto as equipes técnicas atuam para solucionar a ocorrência e restabelecer a operação”, informou a concessionária.
Segundo a empresa, durante o incidente, não houve nenhuma intercorrência com os clientes. “O Metrô BH pede a compreensão dos clientes pelos transtornos e reforça que novas informações serão divulgadas pelos canais oficiais, caso necessário”, informou.
A previsão é que a circulação de trens seja normalizada antes do pico da tarde.
Metrô BH inaugura estações Nova Suíça e Amazonas
Nesta sexta-feira (3), o metrô de Belo Horizonte também ganhou duas novas estações. As paradas Nova Suíça e Amazonas, que fazem parte da Linha 2, começam a funcionar na tarde de hoje. Neste primeiro momento, os trechos terão horário de atendimento reduzido.
A operação será assistida, modelo adotado para permitir que as obras e os testes dos sistemas da nova linha continuem sendo realizados enquanto o trecho já passa a atender a população. Entre julho e setembro, as duas estações vão funcionar apenas de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h.
Segundo o Governo de Minas, a previsão é que, em outubro, o funcionamento seja ampliado para o horário normal dos dias úteis, das 5h15 às 23h. Já a operação plena, com atendimento também aos fins de semana, está prevista para começar em novembro.
Ao todo, foram investidos R$ 142,7 milhões na construção das duas estações. Desse total, R$ 99,7 milhões foram destinados à Estação Nova Suíça e R$ 43 milhões à Estação Amazonas.
A Estação Nova Suíça será o ponto de integração entre as linhas 1 e 2 do metrô e deve se tornar uma das mais movimentadas da rede. A expectativa da concessionária é que, com a conclusão da Linha 2, cerca de 40 mil passageiros utilizem a estação diariamente.
As obras de expansão do metrô seguem em andamento. A previsão é que as estações Nova Gameleira, Nova Cintra e Vista Alegre sejam entregues em 2027. Já as estações Ferrugem e Barreiro devem entrar em operação em 2028, concluindo a implantação da Linha 2.
Inauguração é marcada por protestos
Um protesto marcou a inauguração das duas novas estações da Linha 2 do metrô de Belo Horizonte, nesta sexta-feira (3). Durante a cerimônia de entrega das estações Nova Cintra e Amazonas, moradores atingidos pelas desapropriações para a expansão do sistema cobraram o cumprimento do acordo de indenização firmado em maio de 2025 entre o Ministério Público, a Defensoria Pública, o Metrô BH e o Governo de Minas. Ao BHAZ, a representante das famílias atingidas, Poliane Furtado, afirmou que cerca de 16 famílias ficaram de fora do acordo e ainda aguardam uma solução.
“Ficou acordado que as famílias seriam indenizadas, removidas e seguiriam suas vidas. No entanto, deixamos bem claro no acordo que existiam mais 16 famílias que não estavam identificadas. Eles disseram que fariam uma nova vistoria, verificariam a situação dessas famílias, que elas comprovariam que moravam no local e, depois disso, seriam incluídas nas indenizações”, afirmou.
De acordo com Poliane, além da inclusão dessas famílias no acordo, os moradores denunciam demolições sem ordem judicial e cobram mais segurança no entorno das obras. Ela afirma que faltam cercamento e sinalização na área, o que, segundo ela, tem provocado acidentes.
“Eles batem na porta às cinco horas da manhã e já começam a demolir as casas. Todo dia acontece algum acidente na linha férrea por causa dessa nova obra do metrô. Tem moto caindo na linha por falta de sinalização, pessoas caindo sobre os escombros das demolições. Inclusive teve o caso da senhora Natalice, de 50 anos, que tropeçou nos entulhos, caiu nos trilhos e o trem passou em cima da perna dela”, conta a representante.
Apesar das críticas, a representante ressalta que o grupo não é contra a expansão do metrô. “O que a gente reivindica não é que a obra do metrô pare. Pelo contrário, queremos que ela termine o mais rápido possível para acabar com esse transtorno, mas está acontecendo um desrespeito tanto com a população que permaneceu na região quanto com as famílias que ainda não foram indenizadas. Não estamos pedindo nada além de sermos ouvidos”, concluiu Poliane.
Simões rebate: “Sei quem paga a mortadela de vocês”
O governador de Minas Gerais, Matheus Simões, que estava presente na inauguração das estações, rebatou os manifestantes e afirmou: “Eu sei bem quem paga a mortadela de vocês”.
O episódio ocorreu enquanto Simões discursava sobre as vítimas do rompimento da barragem de Brumadinho. Ao ser interrompido pelos protestos, o governador reagiu: “O povo que está aqui gritando, tentando atrapalhar um momento de alegria da população. É, eu sei bem quem paga a mortadela de vocês”.










