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Chuvas na Zona da Mata: Governo Federal anuncia auxílio de R$ 800 por pessoa desabrigada

25/02/2026 às 07h23
Chuvas devastaram Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata (Tânia Rêgo/Agência Brasil_

O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, anunciou, nessa terça-feira (24), que o Governo Federal fará um repasse de R$ 800 por pessoa desabrigada na Zona da Mata de Minas Gerais, região assolada por chuvas desde a noite de segunda-feira. Até a manhã desta terça-feira (25), 31 mortes haviam sido confirmadas e 38 pessoas estavam desaparecidas. Foram registrados 200 desabrigados e 400 desalojados.

Segundo Alckmin, os recursos serão pagos às prefeituras para a aquisição de itens básicos de necessidade. “Nós temos centenas de pessoas desabrigadas, aí é para a prefeitura para comprar colchão, mantimento, roupa, enfim, para apoiar”, afirmou o presidente em exercício.

O repasse dos R$ 800 por pessoa será feito pelo governo federal, via Ministério de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), diretamente às prefeituras municipais, que controlam os cadastros das famílias desabrigadas e desalojadas.

Dos 38 desaparecidos, 36 são em Juiz de Fora e dois em Ubá. Segundo os Bombeiros, 62 agentes atuam nas buscas e atendimentos em JF, enquanto outros 49 estão mobilizados em Ubá. Mais 14 bombeiros foram enviados para Matias Barbosa, na mesma região, onde não há mortes até o momento. Segundo as forças de resgate estaduais, ainda há registros de pessoas soterradas. 

Antecipação de benefícios e reforço federal na Zona da Mata

Alckmin também confirmou a antecipação do pagamento do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para os beneficiados da região atingida. O governo federal reconheceu o estado de calamidade pública em Juiz de Fora, e a decisão possibilita o início imediato dos trabalhos de socorro e ajuda humanitária à população afetada.

“Todo apoio será dado, a questão mais urgente é o socorro às vítimas. Então, Defesa civil, Ministério da Defesa, Exército, Saúde, todo mundo [está] trabalhando”, garantiu Alckmin.

O ministro do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e o ministro em exercício da Saúde, Adriano Massuda, estão na região para acompanhar o trabalho de resgate. Equipes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), técnicos da Defesa Civil e militares do Exército apoiam as forças estaduais e locais no resgate das vítimas.

A previsão é que novos temporais continuem na região até sexta-feira (27).

Estado de atenção

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que os temporais são resultado de um cavado atmosférico e, por isso, as precipitações devem continuar no estado.

“Nós esperamos mais chuvas e, por isso, é razoável imaginar que teremos novos eventos críticos”, disse a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT).

Segundo a Defesa Civil de Juiz de Fora, este é o fevereiro mais chuvoso da história da cidade, com 584 milímetros acumulados. Ao todo, 13 vítimas foram resgatadas e levadas ao pronto-socorro, enquanto 440 pessoas estão desabrigadas.

Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (24), a prefeita Margarida Salomão recomendou que moradores que estejam em áreas classificadas pela Defesa Civil como vulneráveis, com nível quatro de risco, deixem suas casas. “Procura a gente. Venha para os nossos lugares que iremos acolher, porque, certamente, você estará a salvo. E a segunda é: se você está em um local sem risco, evite sair de casa. As ruas podem ter alagamentos e deslizamentos”, disse.

Durante o temporal, o Rio Paraibuna e córregos transbordaram, alagando ruas. Foram registrados desabamentos de imóveis e deslizamentos de terra, com pessoas soterradas.

Mais chuvas

As chuvas devem continuar em Minas Gerais até a próxima sexta-feira (27), sobretudo nas regiões da Zona da Mata e Vale do Rio Doce, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Segundo o meteorologista do Inmet, Lizandro Gemiacki, ao longo da semana Minas Gerais está sob a atuação de uma área de instabilidade associada a um cavado atmosférico.

“É uma região de baixa pressão que atua em diferentes pontos do Sudeste, favorecendo a ocorrência de chuva, tanto aquelas contínuas por algumas horas seguidas quanto pancadas mais intensas no fim da tarde e à noite. Além disso, podem vir acompanhadas de rajadas de vento e trovões”, explicou em entrevista ao BHAZ.

Embora ocorram chuvas em todo o estado, Lizandro ponderou que os maiores acumulados devem ocorrer, principalmente, na Zona da Mata e Vale do Rio Doce. “Estamos com aviso vermelho para essas regiões, pois podem ter acumulados acima de 100 mm em 24h. Então, até sexta, a perspectiva é de grandes volumes de precipitação”, disse o meteorologista.

Chuvas na Zona da Mata

O forte temporal que atingiu cidades da Zona da Mata mineira soterrou casas, arrastou carros, provocou alagamentos e deixou um rastro de destruição. Em Ubá, um prédio chegou a desabar na região central do município. Segundo relatos enviados ao BHAZ, a situação é considerada caótica, com pedidos de botes para resgate de pessoas ilhadas e informações sobre desaparecidos.

Um dos casos registrados ocorreu em Juiz de Fora, onde uma mãe foi resgatada na manhã desta terça-feira (24) após um deslizamento atingir o bairro Paineiras. O salvamento aconteceu em meio às enchentes que atingem a cidade desde a noite de segunda-feira (23). No imóvel, estavam cinco pessoas: três adultos e duas crianças.

Outro caso foi registrado em Ubá, onde um asilo de idosos foi invadido por uma enxurrada durante a chuva histórica que atinge a região. Segundo as autoridades, trata-se do Lar João Freitas, localizado na área central da cidade. Imagens mostram idosos sendo amparados sobre as camas em meio à água que invadiu o local.

A Prefeitura de Juiz de Fora informou que este é o fevereiro mais chuvoso da história do município, com volume acumulado de 584 milímetros, mais que o dobro do esperado para o mês. Diante dos danos provocados pelas chuvas intensas, o Executivo decretou estado de calamidade pública e suspendeu as aulas nas creches e escolas municipais.

Sinara Peixoto

Formada em Comunicação Social com Ênfase em Jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte e com pós-graduação na PUC Minas em Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa. Atuou como editora na CNN Brasil, desde a estreia do veículo no país, e na edição do Portal BHAZ. Também despenhou várias funções ao longo de 7 anos na TV Record Minas, onde entrou como estagiária.
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