O governo de Minas Gerais afirmou, na tarde desta terça-feira (28), que o desligamento do ex-secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares, não ocorreu “em comum acordo”. A versão contraria a informação divulgada pela equipe de Soares, exonerado na segunda-feira (27), de que a decisão teria sido tomada “de forma alinhada” com o Executivo estadual. Segundo o governo, a saída se deve a uma investigação interna, mas não houve esclarecimento sobre as suspeitas que pesam sobre o ex-secretário.
Ex-ministro da Educação no governo Michel Temer (MDB), o advogado tomou posse na Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) em agosto de 2025, substituindo o professor Igor Alvarenga, que permaneceu no cargo por três anos.
Rossieli foi alvo de denúncia encaminhada ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), por suspeitas de irregularidades em um contrato de R$ 348,4 milhões para a compra de materiais didáticos destinados às escolas estaduais.
Conforme o governo de Minas, a decisão tomada pelo governador Mateus Simões (PSD) está associada a informações preliminares de uma investigação interna conduzida pela Controladoria-Geral do Estado (CGE), que foram encaminhadas às autoridades competentes para tomada de providências”, disse.
“Um procedimento de investigação será aberto para apurar as responsabilidades pela nota que atribui posicionamentos ao Governo de Minas de forma indevida e sem autorização”, escreveu.
Outro lado
O BHAZ procurou a assessoria do ex-secretário. Segundo a equipe, Rossieli “não teve acesso a quaisquer informações preliminares de investigação conduzida pela CGE”. Além disso, alegou que, tão logo tenha conhecimento formal sobre o conteúdo, irá se manifestar “de forma objetiva e responsável por meio de advogado legalmente constituído”.
“O ex-secretário reitera que, durante sua gestão, não compactuou com práticas que não estivessem em conformidade com os princípios da legalidade, da transparência e da boa gestão pública”, relatou.
Mais cedo, a equipe havia informado que a exoneração ocorreu de “forma alinhada” com o Governo de Minas Gerais, em razão da recuperação de um procedimento cirúrgico realizado em fevereiro.
Sua atuação no Ministério da Educação (MEC) começou em 2016, como secretário de Educação Básica, e culminou no cargo de Ministro da Educação em 2018, durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). Além de Minas Gerais, atuou em Secretarias de Educação no Pará, São Paulo e Amazonas.
Durante os oito meses em que ficou no cargo em Minas Gerais, Rossieli foi um entusiasta na implementação do modelo de escolas cívico-militares no estado.










