Dois dias depois do desaparecimento de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, o ex-namorado dela e a atual namorada dele foram até a casa da família da jovem, em Jaboticatubas, na Grande BH. O casal queria cobrar os parentes por apontarem os dois como suspeitos. O relato é do irmão da vítima, Maxuel Mota, em entrevista ao BHAZ nesta quinta-feira (22).
“Ele foi na porta da nossa casa para confrontar a gente, ele e a atual namorada dele, na maior cara de pau. No domingo chegaram lá friamente, confrontando a família como se nada tivesse acontecido”, contou o irmão da vítima.
Segundo Maxuel, os dois disseram que a família não podia sair falando que eles eram suspeitos. “Falaram que não tinham nada a ver, que tinham álibi e não sei o quê. São frios”, disse o irmão de Beatriz.
Os dois estão presos. Para a Polícia Civil, eles mataram Beatriz a pauladas e tijoladas, num feminicídio motivado por ciúmes entre a atual namorada e a ex.
Suspeitas desde o início
De acordo com o irmão, as suspeitas da família recaíram o tempo todo sobre o casal, principalmente sobre o ex-namorado. “Da atual, a gente esperava menos ainda que isso fosse acontecer”, afirmou. Maxuel diz que nunca teve contato com a mulher.
Ele conta que, quando conheceu o ex-namorado da irmã, o via como “um menino” e “um cara tranquilo”. “Não imaginava nunca que isso ia acontecer. Após o desaparecimento, a gente foi descobrindo coisas sobre ele”, disse após entrevista coletiva da Polícia Civil de Minas Gerais que detalhou a investigação.
Uma das revelações, segundo o irmão, foi uma discussão em que o rapaz entrou na casa de Beatriz. Ele preferiu não dar detalhes e disse que cabe à polícia investigar.
Gravidez ainda não confirmada
Sobre a suspeita de que Beatriz estaria grávida, Maxuel explicou que a informação partiu da irmã mais nova, que sabia de alguns testes de gravidez feitos pela jovem. A mãe e a irmã mais velha também desconfiavam.
“Não dá para afirmar se ela estava grávida. A gente tem que aguardar o Instituto Médico Legal para saber se estava ou não”, disse Maxuel.
“A gente quer justiça”
Maxuel afirmou que acompanhou a investigação desde o início e elogiou o trabalho da Polícia Civil.
Ele diz que a família não esperava encontrar Beatriz da forma como foi encontrada. “Foi muito difícil até a gente chegar neles, descobrir eles. O que a gente quer agora é justiça, que eles paguem pelo que fizeram. Foi um feminicídio acompanhado por uma mulher. A gente tem convicção disso.”
Irmão diz ter sido ameaçado
Na entrevista, Maxuel também afirmou ter sido ameaçado pelo pai da suspeita. Segundo ele, o homem ofendeu Beatriz com um xingamento. O irmão diz ter áudios e que pretende divulgá-los.
“Se acontecer alguma coisa comigo ou com a minha família, é responsabilidade dele”, declarou o irmão da vítima.
Maxuel rebateu ainda a versão de que a irmã teria problemas com dinheiro. “Toda vez que ela teve algum problema financeiro, ela vinha atrás de mim ou do pai. Não tinha problema financeiro nenhum. Isso é ciúmes, inveja que eles tinham da minha irmã.”










