A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) lançou, nesta terça-feira (24), em parceria com a Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a estratégia digital “Vacina em Dia”, que permite aos mineiros enviarem uma foto da carteira de vacinação pelo WhatsApp para receber orientações sobre possíveis doses em atraso.
A iniciativa foi apresentada durante o III Congresso Brasileiro Defesa da Vacinação e o I Congresso Internacional de Imunização: compromisso global com a ciência, a saúde e a vida, realizado no campus Pampulha da UFMG. O evento reúne cerca de 700 participantes, entre estudantes, profissionais da saúde, pesquisadores e gestores, para discutir caminhos para fortalecer a vacinação no país.
Segundo o subsecretário de Vigilância em Saúde da SES-MG, Eduardo Campos Prosdocimi, a proposta é facilitar o acesso da população às informações sobre a própria situação vacinal. “É um canal de WhatsApp em que a população pode mandar a foto da sua caderneta de vacinação e teremos um profissional que dará, em até 24 horas, o retorno sobre a completude vacinal ou não. Ou seja, se existe vacina que precisa ser aplicada para atualização da caderneta”, explica.
A estratégia faz parte de uma linha de cuidado digital em imunização desenvolvida em parceria entre a SES-MG e o Observatório de Pesquisa e Estudos em Vacinação da Escola de Enfermagem da UFMG. A plataforma também prevê teleconsultas de enfermagem, ações de educação em saúde e acompanhamento dos usuários.
“A gente quer ter facilidade para a população mineira saber quais são as vacinas faltantes. É melhorar a experiência do paciente para ter informação de qualidade e vacina no braço, que é o que importa”, afirma Prosdocimi.
As mensagens podem ser enviadas para o número 31 3961 0451
Congresso discute soluções para recuperar coberturas vacinais
Organizadora do evento e professora da Escola de Enfermagem da UFMG, Fernanda Penido Matosinhos destaca que a queda da vacinação é resultado de diversos fatores e exige diferentes estratégias. “Esse evento está reunindo quase 700 pessoas em mais uma parceria entre a UFMG e os serviços de saúde. O objetivo é discutir os desafios da queda das nossas coberturas vacinais, mas também propor estratégias”, afirma.
Segundo ela, as dificuldades de acesso aos serviços e a disseminação de informações falsas estão entre os principais obstáculos. “Não há uma causa específica, são várias. Então é por isso que precisamos pensar em múltiplas estratégias. Essas causas vão desde a dificuldade de acesso até a desinformação e as fake news”, diz.
A professora lembra que o Brasil enfrenta uma redução nas coberturas vacinais desde 2016, cenário agravado pela pandemia de Covid-19. “Agora estamos em um movimento de retomada das nossas coberturas vacinais em Minas e no Brasil como um todo. Ainda estamos aquém da meta de 95%, mas temos visto um movimento importante dos governos federal, estadual e dos municípios para o resgate dessas coberturas”, explica.
Sarampo acende alerta
Durante o congresso, especialistas também chamaram atenção para o risco de reintrodução de doenças já controladas, como o sarampo. “Muitas pessoas acham que as doenças não existem mais. Na verdade, elas estão controladas e podem retomar se as pessoas não se vacinarem”, alerta Fernanda.
Prosdocimi destaca que Minas ainda está abaixo da meta de cobertura da segunda dose da tríplice viral e lembra que surtos recentes demonstram a importância da imunização. “O sarampo tem uma transmissibilidade muito alta. Em 2019, tivemos cerca de 20 mil casos, especialmente em São Paulo. A vacinação é para evitar que doenças reemerjam e sejam reintroduzidas no nosso território”, afirma.










