[Greve dos caminhoneiros] Os reflexos da mobilização em Minas

A greve dos caminhoneiros já marca 6 dias seguidos, nos 26 estados e no Distrito Federal. Os atos da ultima sexta-feira (25) deram continuidade à mobilização contra o aumento do preço do diesel e Minas Gerais recebe os reflexos desta movimentação, resultando na paralisação de diversas cidades.

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Entre tantas cidades prejudicadas, listamos cinco para ilustrar os principais desdobramentos:

Uberlândia – Triangulo Mineiro

Os reflexos são sentidos com o desabastecimento de postos de combustíveis, setor de alimentos e serviços públicos em geral. O aeroporto Tenente Coronel César Bombonato opera com combustível reserva. A Plural, empresa responsável pelo abastecimento do aeroporto, informou que não tem previsão do serviço voltar à normalidade. O transporte urbano atua em frota reduzida,  com pouco combustível em diversos postos da cidade e grandes filas de veículos nos estabelecimentos.

Em relação ao abastecimento de insumos, alguns vendedores da Central de Abastecimento (Ceasa) da cidade informam que o estoque está baixo e alguns alimentos perdidos. Supermercados também começam a sofrer com o desabastecimento de alimentos. O Ministério Público Estadual, por meio do Procon, emitiu uma recomendação para que todos os postos de combustíveis do Triângulo Mineiro não pratiquem o aumento dos preços de combustíveis sem justificativa ou em valores excessivos, destoantes dos praticados oficialmente. Já em relação a ordem pública, a Polícia Federal informou que suspendeu as diligências fora de Uberlândia por causa da falta de combustível.

Juiz de Fora – Zona da Mata mineira

Em relação à saúde, o transporte emergencial entre hospitais deve seguir normalmente até a próxima segunda-feira (28). O serviço de coleta de exames de sangue somente será realizado em casos urgentes. A distribuição de remédios e a lavanderia dos hospitais também estão prejudicadas. O serviço de fiscalização sanitária nos estabelecimentos comerciais foi intensificado para acompanhar a situação de acondicionamento dos alimentos nestes locais. A Agência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) está fiscalizando as ruas e atendendo sob demanda para evitar cobrança abusiva pelos combustíveis e produtos em falta.

O Sindicato dos Transportadores Escolares de Juiz de Fora e Região realizou uma manifestação com cerca de cem vans. Segundo os organizadores, os motoristas se concentraram no Terreirão do Samba e se deslocaram por ruas da região central até a BR-040, onde encontraram com os caminhoneiros e levararam água, café, biscoitos e alimentos básicos. A Secretaria de Administração e Recursos Humanos (SARH) determinou a utilização de carros oficiais somente em casos urgentes, para atendimento aos setores de saúde e educação. O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (Demlurb) vai para priorizar a coleta de lixo domiciliar nos próximos dias. Desta forma, os serviços de capina e roçada ficarão prejudicados a fim de otimizar o uso de combustível.

Quanto ao transporte coletivo, desde a manhã da última quinta, foi adotado um esquema de redução dos ônibus urbanos em circulação fora dos horários de pico para racionalizar combustível. Nos horários de maior demanda, a frota está completa. A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) suspendeu as aulas desta sexta nos cursos presenciais e a distância, no campus de Juiz de Fora e no Colégio de Aplicação João XXIII.

Divulgação/Prefeitura de Juiz de Fora

Montes Claros – Norte de Minas

No Norte de Minas, os protestos provocaram o desabastecimento em mais de 50% dos postos de combustíveis da região. De acordo a Minaspetro, a mesma situação é registrada em Montes Claros. Com a possibilidade de escassez de combustíveis, o Procon Estadual e o Ministério Público iniciaram uma fiscalização nos postos da cidade, na ultima sexta.

Já na educação, a Prefeitura interrompeu o transporte de estudantes no município após o Governo decretar ponto facultativo na rede estadual e pela falta de combustível. De acordo com a prefeitura, a maior parte dos alunos é da zona rural e muitos frequentam aulas em escolas estaduais. Assim, o município decidiu também suspender as aulas na rede municipal. Já em relação aos insumos, a Central de Abastecimento do Norte de Minas (Ceanorte) afirma que alguns produtos que são comercializados na Central já foram registrados um aumento de até 20%.

Em Brasília de Minas, a prefeitura reduziu o transporte da saúde. A cidade atende diariamente pacientes oncológicos e de outros programas estaduais de referência em Montes Claros, totalizando cerca de 30 pessoas por dia para uso do transporte, além de pacientes do tratamento fora de domicílio para Belo Horizonte e cidades de referência. A prefeitura informou que vai respeitar o atendimento de urgência e os pacientes que não possuem risco de morte estão sendo encaminhados para as vagas do SUS.

Foto/Fábio Marçal

Poços de Caldas – Sul de Minas

A Cissul/Samu, consórcio responsável pela operação do Samu Regional, emitiu um comunicado na manhã da ultima sexta-feira (25) informando que devido à paralisação dos caminhoneiros, o combustível das ambulâncias do serviço já está acabando, sem maneiras de reabastecimento.

O Samu de Poços de Caldas, que não faz parte do Samu Regional, já havia informado que devido à situação, apenas os casos mais graves seriam priorizados. Hospital Santa Lúcia ligou o sinal de alerta. A preocupação é com o abastecimento de oxigênio e a reposição de medicamentos, cuja maioria vem de fora, como Rio de Janeiro e São Paulo.  Já na prefeitura, a ordem da administração é deixar a maior parte da frota de veículos parada. Na Polícia Militar, medidas de contenção também estão sendo tomadas para que não falte combustível nas viaturas para os serviços mais importantes.

Sobre a falta de combustível em geral, os motoristas formaram longas filas em postos na área central. Em um deles, ainda havia todos os tipos de combustível no início da manhã, exceto gasolina comum. Os postos não têm previsão de reposição e a maioria já está fechado.

Reprodução/Youtube

Governador Valadares – Vale do Rio Doce (Nordeste de Minas)

As aulas nas escolas municipais e creches foram suspensas, pois a greve compromete o transporte dos estudantes e a chegada dos produtos da merenda escolar. Mais de 20 mil alunos da cidade e da zona rural foram afetados.

O prefeito André Merlo (PSDB) convocou uma reunião com todos os secretários municipais para uma reunião extraordinária onde foram traçadas estratégias emergenciais. “A empresa responsável pela distribuição de carnes para o preparo das refeições dos pacientes do Hospital Municipal é de Betim (MG) e não conseguiu chegar a Valadares”, publicou a prefeitura em seu site”. A prefeitura conseguiu garantir a carne com fornecedores locais para atender pacientes e acompanhantes até terça-feira. “Já produtos de hortifrúti ainda tem disponível até o final da semana. O estoque de leite está acabando e o município está providenciado com fornecedores locais”, disse o Executivo municipal.

A  prefeitura de Governador Valadares informou na última sexta que o SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto)  possui produtos para tratamento da água armazenado em estoque, suficientes para pouco mais de uma semana, até o dia (31). A partir desta data, caso a greve continue, não terá mais condições para tratar a água e distribuí-la à população. Por se tratar de corrosivos, esses produtos devem ser transportados em caminhões apropriados, licenciados e autorizados. A autarquia esclarece que possui um caminhão-tanque de quatro mil litros, mas devido à greve, também fica impossibilitado de chegar até as empresas.

Divulgação/Prefeitura de Governador Valadares
Marcella Oliveira

Publicitária e redatora do portal BHaz.

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