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Ministério Público apura apologia ao nazismo em escola de Juiz de Fora

23/07/2026 às 10h10 - Atualizado em 23/07/2026 às 11h41
Bandeira com possível apologia ao nazismo é exibida em escola de Juiz de Fora
Bandeira foi exibida em escola de JF (Foto: Matheus Brum/Folha JF)

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaurou um procedimento para apurar a exibição de uma bandeira com possíveis referências ao nazismo em uma escola de Juiz de Fora, na Zona da Mata. O caso veio à tona após a identificação de um material, com uma frase, exibido em um espaço esportivo da escola que levantou suspeitas de apologia ao nazismo.

De acordo com as informações iniciais, a bandeira trazia a expressão em alemão que significa “Lealdade e Honra”, acompanhada de elementos visuais considerados semelhantes aos utilizados pelo regime nazista. O conteúdo será analisado para verificar se há indícios de apologia ao nazismo.

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A 5ª Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Juiz de Fora determinou o encaminhamento do caso à Polícia Civil. O objetivo é que seja instaurado um inquérito policial e realizada uma perícia no material apreendido para esclarecer as circunstâncias da exibição da bandeira. A PCMG ainda não confirmou se já está investigando o caso.

A Lei 7.716/1989 define a apologia ao nazismo como crime de racismo e prevê penalidades severas. É considerado crime fabricar, comercializar, distribuir ou divulgar símbolos, emblemas e outros materiais destinados à propagação do nazismo. O Supremo Tribunal Federal (STF) também firmou entendimento de que a apologia à ideologia nazista configura uma forma de racismo.

Bandeira com apologia ao nazismo foi exibida em evento esportivo de escola

A bandeira foi exibida durante uma competição interclasses realizada há cerca de cinco dias em uma escola particular de Juiz de Fora. O material teria sido produzido pelos próprios estudantes e foi recolhido pela instituição.

Em nota, a assessoria do Colégio SESI Granbery, disse que tomou conhecimento pelas redes sociais da notícia sobre instauração de procedimento pelo Ministério Público de Minas Gerais para apurar a exibição de uma bandeira durante o campeonato interclasse de 2026, bem como do encaminhamento do caso à Polícia Civil. Até o momento, a entidade não recebeu qualquer notificação formal dos órgãos públicos em questão.

Também informou que a instituição está à disposição das autoridades e irá colaborar com as investigações, prestando todos os esclarecimentos e fornecendo as informações necessárias para a apuração dos fatos.

A escola também confirmou que os estudantes envolvidos já foram identificados e orientados. Um trabalho educativo sobre o tema “será desenvolvido com os estudantes de todas as séries, por meio de ações de orientação e conscientização sobre o contexto histórico, as consequências de movimentos extremistas e os riscos relacionados ao uso de símbolos, imagens e expressões associados ao ódio, à intolerância e à discriminação”, afirma.

Leia a íntegra da nota:

A Escola SESI Granbery informa que tomou conhecimento pelas redes sociais da notícia sobre instauração de procedimento pelo Ministério Público de Minas Gerais para apurar a exibição de uma bandeira durante o campeonato interclasse de 2026, bem como do encaminhamento do caso à Polícia Civil. Até o momento, a entidade não recebeu qualquer notificação formal dos órgãos públicos em questão.

A instituição está à disposição das autoridades e irá colaborar com as investigações, prestando todos os esclarecimentos e fornecendo as informações necessárias para a apuração dos fatos. A bandeira foi produzida por estudantes sem o conhecimento, a aprovação ou a anuência da escola. Assim que tomou conhecimento das referências presentes no material, a instituição determinou a retirada imediata da bandeira e adotou as providências cabíveis no âmbito escolar.

Desde o ocorrido, os estudantes envolvidos foram orientados pela direção da escola, que também realizou uma reunião com o aluno e a responsável legal para esclarecimento dos fatos. No retorno das aulas, a instituição desenvolverá um trabalho educativo sobre o tema com os estudantes de todas as séries, por meio de ações de orientação e conscientização sobre o contexto histórico, as consequências de movimentos extremistas e os riscos relacionados ao uso de símbolos, imagens e expressões associados ao ódio, à intolerância e à discriminação.

O SESI Granbery repudia de forma categórica qualquer manifestação de apologia a ideologias autoritárias, discriminatórias ou que atentem contra a dignidade humana. O conteúdo exibido não representa os princípios, os valores e as práticas educativas defendidos pela instituição.

A escola reafirma o compromisso com uma educação fundamentada no respeito, na ética, na diversidade, nos direitos humanos e na formação cidadã dos estudantes, preservando a privacidade dos envolvidos e contribuindo para que a apuração transcorra com a responsabilidade e a serenidade que o caso exige.

Fábio Galdino

Fábio Galdino é jornalista, apresentador de TV e, agora, repórter do Portal BHAZ. Natural de Santa Luzia, na Grande BH, é formado pela Universidade Federal de Ouro Preto e, nos últimos anos, dedicou à cobertura jornalística em diferentes emissoras de televisão, com passagens por afiliadas à Rede Globo, SBT e Band. Em 10 anos, participei de grandes coberturas, como eleições municipais e estaduais, a tragédia do rompimento de uma barragem, em Mariana, e a pandemia de Covid-19.

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