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Minas Gerais confirma primeira morte por hantavírus no Brasil em 2026

10/05/2026 às 15h40

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou neste domingo (10) um caso de hantavirose com evolução para morte no estado. A infecção foi atestada pela Fundação Ezequiel Dias (Funed). Até o momento, é o primeiro e o único caso fatal neste ano no Brasil.

Segundo a SES-MG, a vítima era um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, que apresentava histórico de contato com roedores silvestres em área de lavoura. De acordo com a pasta, trata-se de um caso isolado, sem relação com outros registros da doença.

As infecções por hantavírus ocorrem principalmente em áreas rurais e costumam estar associadas a atividades ligadas à agricultura e ao contato com ambientes infestados por roedores silvestres.

Ainda segundo a SES-MG, não existe tratamento específico para a hantavirose. O atendimento é feito com medidas de suporte clínico, conforme avaliação médica.

Recomendações da Secretária de Saúde

A secretaria reforçou orientações de prevenção, principalmente para moradores de áreas rurais. Entre as recomendações estão:

  • manter alimentos armazenados em recipientes fechados
  • evitar acúmulo de lixo e entulho
  • manter terrenos limpos
  • não deixar ração animal exposta
  • ventilar ambientes fechados antes da entrada.

A SES-MG também orienta que a limpeza de paióis, galpões, depósitos e armazéns seja feita com o chão umedecido com água e sabão, evitando varrer a seco.

O que é o hantavírus?

A hantavirose é uma zoonose viral aguda causada por vírus. No Brasil, a infecção em humanos se manifesta principalmente na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), quadro que pode provocar comprometimentos pulmonares e cardíacos graves.

Os hantavírus têm como reservatórios naturais alguns roedores silvestres, que podem carregar o vírus durante toda a vida sem apresentar sintomas. Esses animais eliminam o vírus pela urina, saliva e fezes, o que representa risco de transmissão para humanos.

Como ocorre a infecção?

A principal forma de infecção ocorre pela inalação de partículas contaminadas presentes no ar, formadas a partir das excretas de roedores infectados. A transmissão também pode acontecer por mordidas, contato do vírus com mucosas — como boca, nariz e olhos — por meio de mãos contaminadas, e, em casos raros registrados na Argentina e no Chile, de pessoa para pessoa.

O período de incubação da doença varia entre três e 60 dias, com média de uma a cinco semanas. Especialistas apontam que fatores como desmatamento, expansão urbana em áreas rurais e grandes plantações favorecem o aumento da população de roedores silvestres e, consequentemente, elevam o risco de transmissão.

Quais os sintomas?

Os sintomas iniciais da hantavirose incluem febre, dores no corpo, dor de cabeça, dor abdominal e sintomas gastrointestinais. Nos casos mais graves, a doença evolui para a fase cardiopulmonar, que pode provocar dificuldade para respirar, respiração acelerada, aumento dos batimentos cardíacos, tosse seca e queda de pressão arterial.

As orientações de prevenção incluem evitar contato com locais fechados que apresentem sinais de infestação por roedores sem limpeza adequada, manter alimentos e lixo armazenados corretamente em acampamentos e evitar deitar diretamente no solo em áreas rurais ou de mata.

Lavínia Fernandes

Jornalista formada pela PUC Minas. Publicou um artigo sobre alfabetização midiática pela Intercom. Foi estagiária de assessoria de comunicação na ALMG. Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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