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Tarifaço de Trump pode eliminar 187 mil empregos em Minas Gerais, aponta pesquisa

21/07/2025 às 16h42
(Reprodução/Casa Branca)

tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode eliminar até 187 mil postos de trabalho em Minas Gerais. É o que mostrou um estudo da Gerência de Economia e Finanças Empresariais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

No início deste mês, Donald Trump enviou presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma carta em que anunciou a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras ao país norte-americano. Segundo Trump, as taxas passam a valer a partir do dia 1º de agosto.

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De acordo com as análises conduzidas pela Fiemg, as perdas estimadas para o Brasil podem alcançar até R$ 175 bilhões no longo prazo, com retração de 1,49% no Produto Interno Bruto (PIB) e impacto negativo de mais de 1,3 milhão de postos de trabalho.

Já no caso de Minas Gerais, o terceiro estado brasileiro que mais exporta para os EUA, o PIB pode cair em 2%, uma perda estimada de R$ 21,5 bilhões. Segundo o estudo, o prejuízo na massa salarial seria de R$ 3,16 bilhões.

“Setores estratégicos da economia mineira, como siderurgia, transporte, produtos minerais não metálicos e serviços, estão entre os mais impactados. A produção de ferro-gusa e ferroligas, por exemplo, pode registrar retração de até 11,9% no Estado”, informa a Fiemg em nota.

Os principais produtos exportados pelo Estado incluem café (33,1%), ferro e aço (29,2%) e máquinas e materiais elétricos (4,6%). Regiões como a Sul e a Central lideram os embarques, com destaque para municípios como Guaxupé, Varginha, Sete Lagoas e Belo Horizonte.

Reciprocidade

A pesquisa analisou ainda um cenário de retaliação recíproca, em que o Brasil impõe taxas equivalentes às de Trump. Nesse caso, a queda no PIB brasileiro pode chegar a R$ 259 bilhões (2,21%), afetando fortemente o número de empregos (-1.934.124), massa salarial (-R$36,18 bilhões) e a redução da arrecadação de impostos (-R$7,21 bilhões).

Em Minas, os impactos no PIB chegariam a 2,85%. “As perdas podem chegar a R$ 63,8 bilhões no PIB de Minas e mais de 443 mil empregos comprometidos”, completa o texto.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Flávio Roscoe, se reuniu com a impensa para falar sobre o cenário. Segundo Roscoe, a indústria siderúrgica mineira será a mais afetada pelo aumento nas taxas.

“São produtos que hoje são exportados para os Estados Unidos e têm dificuldade de ter acesso a outros mercados, porque o mundo está sobreofertado de aço em função da redução da demanda da China. Então, é muito difícil que o setor siderúrgico realoque essas exportações para outros mercados”, explica.

O presidente da Fiemg pontuou ainda que uma possível medida recíproca por parte do Governo Federal seria um “golpe” para o complexo local: “A nossa maior preocupação nesse momento é justamente uma retaliação do Brasil, que seria um outro golpe na indústria brasileira, porque as indústrias são complementares. Isso vai subir o custo das importações que o Brasil faz dos EUA. Com isso, várias empresas brasileiras vão ter algum custo das suas matérias-primas ou componentes aumentados”.

“Na nossa leitura e perspectiva, o melhor cenário, o melhor cenário possível, é um diálogo amplo, aberto, mediado, né. O que faz sentido é encontrar uma solução de negociação. Com essas retaliações todo mundo perde. É um jogo de perder”, completa.

Isabella Guasti

Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022 e também de reportagem premiada pelo Sebrae Minas em 2023. Vencedora do prêmio CDL/BH de jornalismo 2024.
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