A mineira Carolina Arruda, conhecida por conviver com a chamada “pior dor do mundo”, anunciou que está retomando a faculdade para concluir a graduação. Nas redes sociais, ela contou que vai se mudar, temporariamente, para a cidade de Bambuí a fim de cumprir as últimas 288 horas necessárias para receber o diploma.
Segundo Carolina, a formatura foi adiada por uma série de fatores, incluindo problemas graves de saúde, além da pandemia, uma greve na instituição e dificuldades administrativas. “E agora eu vou precisar voltar para Bambuí para terminar essas horas e, finalmente, pegar o meu diploma, que para mim é o mais importante. Eu não vejo a hora, eu não aguento mais”, disse em um vídeo publicado nas redes.
A jovem também afirma que, por ser pessoa com deficiência, teria direito a um plano de ensino individualizado, mas que precisou esperar mais de um ano para acompanhar o cronograma de uma turma regular. Mesmo com as dificuldades, decidiu voltar à cidade para finalizar o curso.
Para conseguir permanecer no município durante esse período, Carolina negociou hospedagem no Hotel Paulinelli, pagando parte da estadia em dinheiro e outra por meio de divulgação do local em suas redes sociais. Ela contou que, caso não encontrasse hospedagem, cogitou morar dentro do próprio carro. “O plano B, se eu não achasse nenhum lugar para ficar, era morar dentro do meu carro, tomar banho num posto de gasolina ou dentro da faculdade, se eu achasse um chuveiro”, relatou.
Antes da mudança, Carolina estava morando em São Lourenço, onde ajudava a cuidar da filha menor de idade e da avó, diagnosticada com Alzheimer. Agora, ela enfrenta também desafios logísticos para a nova rotina: como utiliza cadeira de rodas e bengala, pretende deixar a cadeira no hospital da faculdade, já que pesa cerca de 30 kg e será difícil transportá-la sozinha.
Para reduzir gastos durante a estadia, Carolina também planeja levar pequenos eletrodomésticos, como panela de arroz, air fryer e chaleira, para preparar refeições no quarto do hotel. A viagem entre sua cidade atual e Bambuí deve levar cerca de nove horas.
Histórico
A história de Carolina ganhou repercussão nacional quando ela começou a fazer uma vaquinha online para realizar eutanásia na Suíça, onde a prática é autorizada. Ela queria fazer o procedimento em função da dor intensa. Em 2024, foi chamada para tentar novos tratamentos na Santa Casa.
Após receber alta, Carolina confirmou que não desistiu da eutanásia. “Estamos conversando com a minha advogada. As coisas estão caminhando. Ainda preciso de muito laudo, detalhe médico, tradução de documento. É um processo demorado”, explicou.
O que é a neuralgia do trigêmeo?
Conhecida como a “pior dor do mundo”, a neuralgia do trigêmeo é um distúrbio raro, que afeta menos de 0,3% da população. Segundo o Hospital Albert Einstein, a condição causa dores agudas e lancinantes no rosto, ao longo do nervo trigêmeo, responsável pelas sensações da face.
As crises de dor podem durar de segundos a minutos e se repetir várias vezes ao dia, desencadeadas por gatilhos simples como tocar o rosto, mastigar, falar ou até sentir o vento frio. No caso de Carolina, a condição é ainda mais rara, pois a dor atinge os dois lados do rosto, com a sensação de pontadas e choques intensos.








