A missa de sétimo dia em memória de Alice Martins Alves, mulher trans de 33 anos espancada na Savassi, em BH, será celebrada neste sábado (15), de acordo com publicação nas redes sociais.
A celebração será às 18h30, na Paróquia São Sebastião, no bairro Betânia, região Oeste de BH. “Com gratidão e saudade, convidamos familiares e amigos”, diz a publicação.
O crime
O ataque ocorreu na avenida Getúlio Vargas, na madrugada de 23 de outubro. Segundo o boletim de ocorrência, Alice Martins Alves saía de um bar onde estava com amigos, quando foi agredida por um homem. Outros dois que estavam com o agressor teriam observado a cena e rido da situação.
Segundo a família, após a agressão, Alice foi atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, depois, foi para casa. O pai a encontrou no quarto já com várias lesões pelo corpo e sentindo muitas dores. Devido à gravidade do quadro, ela foi a um hospital particular. O espancamento causou fraturas nas costelas, perfuração intestinal e uma úlcera no estômago da vítima.
A vítima registrou um boletim de ocorrência, no dia 5 de novembro. Nele, ela informou que não conhecia o trio e não houve nenhum tipo de discussão ou atrito antes do espancamento. Alice morreu no último domingo (9), 17 dias após a sessão de espancamento.
“Nesse boletim de ocorrência, ela descreve o autores de certa maneira porque tem medo deles. Ela demorou a relatar para o pai que foi agredida porque ficou com vergonha. Ela sabia que foi agredida por ser uma mulher trans. Diante a vergonha e o medo de não ser acolhida pelas instituições, ela não descreve exatamente como são os funcionários. Também temos que lembrar que ela estava sob efeito de álcool e desmaiou rápido devido às agressões intensas. Chegou a quebrar as costelas dela”, comentou a delegada.
“Parece que ela estava pressentindo que algo ia acontecer. Tinha três meses que ela não estava saindo de casa. Eu falei para ela dar uma volta porque tinha muito tempo que ela estava em casa e acontece isso”, contou Edson Alves, pai de Alice, no velório da filha.
“Será que uma transsexual não tem direito a viver em paz? Agora eu perdi uma grande parceira e amiga. Uma companheira de filme e de tomar uma cervejinha em casa”, desabafou o pai.
Suspeitos estão em liberdade
Os suspeitos de agredir e matar Alice Martins Alves, de 33 anos, uma mulher trans, já foram identificados pela Polícia Civil de Minas Gerais e estão em liberdade. Eles são funcionários de uma pastelaria da Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.
Os detalhes do caso foram divulgados pela Polícia Civil nesta sexta-feira (14). A PC informou que não vai revelar se fez pedido de prisão dos suspeitos para não atrapalhar a investigação. De acordo com o inquérito, por ora, não há suspeita de terceiros envolvidos no caso.
Segundo testemunhas, Alice Martins Alves, de 33 anos, foi perseguida pelos dois funcionários ao sair do bar. Quando alcançada, ela teria sido intimidada a pagar a conta.
Os relatos apontam que a mulher chegou a dizer que havia quitado tudo, mas a fala foi feita diante seu estado de embriaguez. Ela não estava completamente lúcida, conforme informações levantadas pelos investigadores.
Logo em seguida, a mulher teria sido agredida violentamente. A sessão de espancamento só terminou com a chegada de um motoboy, que ajudou a socorrê-la. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado por testemunhas.
“Ainda investigamos se eles desferiram essas agressões de forma mais abrupta contra ela por ser uma mulher trans, de uma forma que eles não fariam se ela fosse uma mulher cisgênero”, disse Iara França, delegada responsável pelo caso.
Conforme mostrado pelo BHAZ, Alice frequentava os bares da região com frequência. Funcionários da pastelaria contaram que, quando embriagada, ela já se esqueceu da conta e saiu sem pagar outras vezes, mas voltava para quitar o débito.
Pronunciamento do Rei do Pastel
“Foi nessa esquina que a moça foi brutalmente espancada”, diz um comentário em postagem no perfil do Rei do Pastel no Instagram. Essa é uma das inúmeras manifestações de usuários da rede social que especulam que os dois suspeitos de espancar e provocar a morte de Alice Alves, mulher trans de 33 anos, seriam funcionários da rede de lanchonetes. Em resposta à onda de “Justiça Por Alice”, a empresa emitiu uma nota de esclarecimento sobre o caso.
A postagem no perfil da lanchonete esclareceu que a empresa se colocou à disposição das autoridades desde o início das investigações, “auxiliando com todos os dados que nos foram solicitados”, disse o texto.
“Várias versões estão sendo divulgadas na mídia e principalmente nas redes sociais, sem as devidas apurações e efetivas comprovações. Estamos aguardando e confiantes no trabalho sério e eficiente que vem sendo executado pela polícia, com a certeza da correta apuração dos fatos e a devida culpabilidade dos envolvidos”, afirmou a publicação.
Além disso, o Rei do Pastel, por meio da nota, demonstrou solidariedade aos familiares a amigos de Alice. “Destacamos que não compactuamos, em hipótese alguma, com ações discriminatória referente a identidade de gênero, orientação sexual, raça ou qualquer outra natureza”, acrescentou.
Reação negativa dos clientes
No entanto, o pronunciamento foi recebido pelos seguidores e clientes do Rei do Pastel de forma controversa. “Queremos RESPOSTAS. A versão envolvendo valores é real? Os funcionários investigados continuam trabalhando ou foram afastados? Esclareçam com argumentos de verdade em respeito a Alice e a todos nós clientes, por favor”, disse um comentário.
“E o fato de que vocês incentivam os funcionários a perseguirem eventuais não-pagantes da maneira que perseguiram Alice? Isso não é de hoje. Vocês não são polícia!!!!”, denunciou outro cliente.













