O que era para ser apenas mais um trajeto apressado até o trabalho se transformou em uma emocionante corrida pela vida no Centro de BH. Na manhã desta quinta-feira (6), o vendedor Diélio Mota, de 35 anos, auxiliou na chegada de uma mulher que estava infartando até o Hospital João XXIII, no bairro Santa Efigênia, na região Leste da capital. Ele gravou toda a ação e o registro viralizou nas redes sociais.
Em conversa com o BHAZ, Diélio, mais conhecido como Delzim, contou que havia saído atrasado para o trabalho nesta manhã. Ele transitava pela avenida Augusto de Lima quando, por volta das 9h55, ouviu buzinas e gritos de “emergência”. Diante dos pedidos de socorro, a reação dele foi instantânea. “Aí já esqueci o serviço, já esqueci tudo e fui embora ajudar”, disse.
Sem saber exatamente o que estava ocorrendo, Delzim logo perguntou se era uma mulher grávida em trabalho de parto, mas o acompanhante dela informou que se tratava de um infarto. Neste momento, outro motociclista se juntou ao vendedor para auxiliar no fechamento do cruzamento com a rua da Bahia, próximo ao Edifício Maletta.
A escolta improvisada ajudou o carro que conduzia a mulher passar por outros cruzamentos e avançou sinais vermelhos para garantir que ela recebesse atendimento o mais rápido possível. Questionado sobre o risco de sofrer multas ou de se deparar com alguma viatura policial, Delzim foi enfático. “Zero medo de polícia. Nessas horas não passa isso na cabeça da gente”, destacou.
“Minimizar a dor de alguém”
Segundo ele, a agilidade nesse momento fez com que o trajeto fosse concluído em menos de dez minutos. Nas imagens publicadas nas redes sociais, é possível ver que o motociclista acompanhou a mulher até a portaria do Hospital João XXIII, ajudando a carregá-la até a maca. Depois disso, o motociclista relatou que retornou ao trajeto inicial que estava fazendo até o emprego e não teve mais notícias sobre o estado de saúde da mulher. De acordo com ele, apesar de ter chegado cerca de 25 minutos atrasado, a boa ação compensou o tempo perdido.
No vídeo publicado nas redes sociais, Delzim comentou que a forte tensão e o nervosismo trouxe à tona lembranças de quando ele enfrentava crises de pânico. “Quase morri, meu irmão. Eu devo estar com o corpo todo ripeado aqui agora. A mão tremendo pra caramba. Garganta secou, a boca secou, a língua secou”, relatou. “Dá um aperto forte no coração, mas quando a gente pode minimizar a dor de alguém, ajudar em alguma coisa, é bom demais”, completou.












