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Após fuga de detentos, ordens de soltura serão cumpridas com atraso de 12 horas em Minas Gerais

23/12/2025 às 19h34 - Atualizado em 23/12/2025 às 20h32
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(Divulgação/Sejusp)

O vice-governador Mateus Simões (PSD) informou, em coletiva de imprensa nesta terça-feira (23), que as ordens de soltura serão cumpridas em Minas Gerais com atraso de pelo menos 12 horas. A medida ocorre depois de quatro detentos serem soltos indevidamente do Cesesp Gameleira, em BH, no último sábado (20).

O objetivo do atraso, de acordo com o vice-governador, é dar tempo suficiente ao Judiciário para revalidar a autenticidade dos alvarás antes que os detentos sejam liberados. “Entre segurar 12 horas um inocente que devia estar solto e soltar um vagabundo que devia estar preso, eu prefiro correr o risco de segurar mais 12 horas do inocente”, destacou.

Fraude

Segundo Mateus Simões (PSD), os quatro detentos utilizaram um método sofisticado de fraude para deixar a unidade prisional. Diferente de fugas convencionais, eles saíram pela porta da frente, expedindo alvarás de soltura verdadeiros, mas gerados de forma fraudulenta após uma invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O sistema do CNJ é um sistema de baixa segurança e de baixa qualidade. Foi invadido com uso de credenciais do judiciário. Nós não temos nenhuma relação com isso. Os mandados que nos foram apresentados, os alvarás de soltura não são falsos, eles são verdadeiros. Eles só não foram expedidos por juízes porque alguém invadiu o sistema e transmitiu pra gente a ordem de soltura”, explicou.

O vice-governador ainda destacou o caso do detento conhecido como “Dom”, que além de ter sido beneficiado pela ordem de soltura fraudulenta, ele constava no sistema do CNJ com um mandado baixado com a justificativa de que estaria morto.

O BHAZ entrou em contato com o CNJ para comentar as declarações do vice-governador. A reportagem será atualizada assim que houver retorno.

Posicionamento TJMG

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) esclareceu que identificou todas as ordens falsas em menos de 24 horas depois da expedição. Assim que a fraude foi detectada, os documentos foram cancelados e novos mandados de prisão foram emitidos para garantir a recaptura dos envolvidos.

O TJMG reforçou sua confiança nos sistemas administrados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e afirmou manter vigilância constante para combater violações. Além das investigações criminais, o caso é alvo de procedimentos administrativos internos para apurar as circunstâncias da liberação no Ceresp.

Saiba quem são os fugitivos:

Os indivíduos foram identificados como Ricardo Lopes de Araújo, Wanderson Henrique Lucena Salomão, Nikolas Henrique de Paiva Silva e Júnio Cezar Souza Silva. De acordo com Secretaria de Estado de Justiça de Segurança Pública (SEJUSP), Júnio Cezar foi recapturado na noite desse domingo (22), mas os outros três seguem sendo procurados pela Justiça.

A população pode auxiliar as buscas de forma segura. Informações que ajudem a localizar Ricardo, Wanderson e Nikolas podem ser repassadas anonimamente por meio do Disque Denúncia Unificado 181.

Nikolas Henrique de Paiva; Wanderson Henrique Lucena e Ricardo Lopes de Araujo seguem procurados. (Divulgação/Sejusp/MG)

Vinícius Sampaio

Jornalista pela Universidade Federal de Viçosa. Foi repórter da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural de Viçosa (Fratevi). Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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