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‘Sem chão’, desabafa pai da terceira vítima de chacina em padaria na Grande BH

05/02/2026 às 17h57 - Atualizado em 05/02/2026 às 18h08
operação cabana do pai tomas
(Ana Magalhães/BHAZ)

“Eu não acredito que eu vivi isso aqui. Fiquei sem chão, sem chão”. O desabafo de Gleisson Seabra reflete a dor e a indignação após receber a confirmação da morte da filha adolescente Emanuely Geovanna, de 14 anos, nesta quinta-feira (5). Ela é a terceira vítima da chacina ocorrida nessa quarta-feira (4) no bairro Lagoa, em Ribeirão das Neves, na Grande BH.

Durante entrevista à imprensa, o pai de Emanuely, Gleisson Seabra, disse que a adolescente estava de férias da escola e “estava indo para a padaria me dar uma força” quando foi alvejada por três tiros. Ao saber da morte da filha, Gleisson disse que entrou em estado de pânico. “Eu não acredito que eu estou vivendo isso. Eu não acredito que eu estou vivendo, sabe… que eu perdi minha filha, eu não acredito que eu vivi isso aqui. Fiquei sem chão, sem chão”, lamentou.

Apesar da gravidade do caso, o pai ainda tinha esperanças de que Emanuely sobrevivesse até o último momento. “Eu vi ela lá dentro respirando. Não tinha isso. Eu tinha isso comigo dela voltar. Meu Deus do céu. Levou minha filha”, lamentou. A adolescente foi atingida por tiros na cabeça, no braço e na perna por outro adolescente de 17 anos.

Gleisson Seabra descreveu a filha como uma jovem “muito alegre” e “muito comunicativa”. Ele afirmou que ela era “muito querida e muito amada por todos”, destacando o carinho da comunidade que reuniu mais de 600 pessoas em oração na porta do hospital.

Veja o vídeo:

O pai revelou ainda que outra filha, Ana Júlia, presenciou o ataque e sobreviveu por pouco. Em estado de choque, a jovem contou que o atirador chegou a apontar a arma diretamente para ela. “Ela falou: ‘Moço, não atira não, pelo amor de Deus’. E ele não atirou nela, ela saiu correndo”, disse Gleisson.

Além de Emanuely, o ataque vitimou a ex-namorada do suspeito, de 16 anos, que trabalhava no caixa, e uma cliente de 56 anos. Testemunhas indicam que a motivação seria uma discussão por ciúmes iniciada pelo agressor.

Justiça

Embora a Polícia Militar tenha localizado e apreendido o suspeito, o pai de Emanuely disse que não confia que a morte da filha terá justiça. “Eu confio muito no trabalho da polícia… Mas na justiça eu não confio, porque isso tem acontecido diariamente e nada tem sido feito. A justiça tem aberto as portas para isso aí acontecer”, desabafou.

Em nota, a PCMG disse que ouviu o adolescente na presença do representante legal, sendo autuado em flagrante de delito pelo ato infracional análogo ao crime de homicídio qualificado. “Ele será apresentado ao Ministério Público, que decidirá sobre sua eventual internação”, esclareceu. “A investigação segue em andamento”, completou.

Ciúmes

Testemunhas relataram que o adolescente, de 17 anos, usava uma touca e um capacete quando entrou no local, que fica no bairro Lagoa, e atirou contra as vítimas. A jovem, de 16 anos, que estava no caixa no momento do ataque foi atingida por dois tiros: um na cabeça e outro no braço. Já a mulher, cliente da padaria, levou dois tiros nas costas. A adolescente, de 14 anos, recebeu tiros nas costas, na perna e no braço.

Ainda segundo outras testemunhas, uma discussão por ciúmes ocorreu instantes antes do ataque. Conforme os relatos, o adolescente chegou à padaria e começou uma briga com a funcionária do caixa, sua ex-namorada. As outras duas vítimas teriam se envolvido para tentar defender a jovem, momento em que ele começou a atirar.

O crime foi marcado por cenas de crueldade. Relatos apontam que, após balear as três mulheres, o atirador ainda ameaçou outra funcionária, fazendo um gesto de deboche antes de fugir, colocando os polegares nas bochechas e mostrando a língua. De acordo com Gleisson, as câmeras de segurança da padaria não estavam funcionando no momento do crime devido a reformas no local.

Vinícius Sampaio

Jornalista pela Universidade Federal de Viçosa. Foi repórter da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural de Viçosa (Fratevi). Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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