Em meio a um vaivém nas candidaturas ao governo de Minas Gerais, o candidato ao Senado Federal Marcelo Aro (PP) rompeu o silêncio e falou pela primeira vez nesta sexta-feira. Em entrevista exclusiva ao BHAZ, Aro fez afirmações duras em relação ao governador Mateus Simões (PSD), com que rompeu as relações.
Aro elogia Mateus e diz que o atual governador e candidato à reeleição é “inteligente, competente, trabalhador honesto”, mas diz que em meio ao rompimento dos dois na campanha eleitoral descobriu um outro lado do ex-colega de governo. “A única coisa desse episódio todo que eu não conhecia no Mateus e passei a conhecer é a questão da mentira. Eu me assustei com as declarações dele, elas não são verdadeiras. Ele se colocou como vítima da história, como se fosse o culpado e tivesse o traído. Isso não aconteceu, é uma mentira”afirma Aro.
O ex-secretário de Governo de Minas afirma que toda a divergência teve início com a filiação do senador Carlos Viana ao PSD, partido de Mateus Simões, e a pré-candidatura dele a uma das cadeiras do Senado. “Mateus tinha uma compromisso comigo de ser candidato ao Senado dele, e eu tinha um compromisso dele ser meu candidato a governador, só que aos 48 minutos do segundo tempo, na última semana de filiação, ele decide filiar o Viana, o que não estava no nosso combinado”, se queixa, ressaltando que a escolha do segundo candidato ao Senado deveria ter sido discutida com ele, mas ele foi apenas comunicado por mensagem da chegada do senador ao PSD.
Aro diz ter se posicionado contra a chegada do novo candidato à coligação, deixando evidenciado inclusive publicamente em entrevista à imprensa. Segundo o ex-secretário de Governo, ele teria se reunido dias depois com Simões para se queixar, uma vez que o PL, partido de Jair Bolsonaro, já tinha se antecipado que queria ter um dos candidatos ao Senado na chapa.
Durante a reunião, Aro diz ter questionado como o governador se posicionaria uma vez que eram três candidatos ao Senado na mesma chapa (Viana, Aro e um indicado pelo PL). “Ele virou para mim e disse que se o PL viesse ele tiraria a candidatura do Viana. Isso me assustou. Como você tira um senador e tira a legenda?”.
Diante da indicação de Viana, Aro afirma que o presidente de seu partido questionou a ele porque não ser candidato ao governo de Minas e que tal cenário foi apresentado a Simões. A reação do governador teria sido afirmar que Viana sairia para deputado estadual ou federal, não mais para o Senado. Mas o martelo nunca foi de fato batido, segundo Aro.
Com a candidatura posta de Aro ao governo, Mateus o chamou de traidor publicamente e teve início a exoneração de indicados pelo ex-secretário.
No fim das contas, Mateus acabou confirmando a sua candidatura ao governo de Minas, e Aro rumou para o Senado. Os partidos de ambos mantiveram a coligação, mas Aro foi colocado como um candidato avulso. Ao BHAZ, ele reafirmou que não subirá no palanque com Viana.
O apoio dele é à candidatura de Cleitinho Azevedo. Ele seguiu nesta sexta-feira para Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, onde o senador Cleitinho dará uma entrevista coletiva para falar da decisão final do Republicanos em relação ao governo de Minas.
Três possibilidades estão postas: Cleitinho ser candidato ou Luiz Eduardo Falcão, ex-prefeito de Patos de Minas, ou até mesmo Gleidson Azevedo, irmão do senador.







