Professores e trabalhadores administrativos da rede municipal de educação de Belo Horizonte iniciaram, nesta segunda-feira (27), uma greve por tempo indeterminado. A decisão foi aprovada em assembleia realizada no Hotel Dayrell, no centro da capital, e tem como foco a reivindicação por melhores condições de trabalho e valorização profissional.
De acordo com o sindicato que representa os servidores, o movimento é motivado por uma série de problemas enfrentados nas escolas, como falta de profissionais, sobrecarga de trabalho e precarização da estrutura de ensino.
Ao BHAZ, a professora e diretora do Sindi-Rede, Carol Pascoalini, disse que a principal reivindicação é sobre o índice de reajuste, já que a proposta da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) se limita à recomposição da inflação. “O governo antecipou que o índice é a recomposição da inflação de maio a abril deste ano, só que a inflação desse período é inferior ao índice de reajuste do piso nacional da educação”, explicou.
Além da questão financeira, o sindicato denuncia a ausência de diálogo e de uma mesa de negociação específica com a Secretaria Municipal de Educação (SMED). Segundo a diretora, embora tenham ocorrido reuniões com a Secretaria de Planejamento, as pautas exclusivas da educação seguem travadas. “A Secretaria se fez presente, porém o tempo todo a fala é: questões específicas da educação serão tratadas em uma reunião específica… E essa reunião até hoje não aconteceu”.
Outra demanda importante da classe é a chamada “terceirização” de serviços considerados essenciais como o Atendimento Educacional Especializado para crianças de inclusão. “Tem um risco aí à autonomia pedagógica dentro das escolas a partir dessa privatização. E temos também a possibilidade de substituição dos professores da educação infantil por outros profissionais, não professores”, alertou.
A categoria também relata problemas estruturais graves nas unidades de ensino, como falta de verba, escassez de materiais didáticos e um déficit no quadro de profissionais que a SMED não estaria divulgando com transparência. Estima-se que a rede conte com mais de 15 mil professores, mas o número exato de cargos faltosos ainda é incerto.
Calendário de Mobilização
- Terça-feira: Mobilização nas escolas
- Quarta-feira: Ato na porta da SMED para pressionar por negociação
- Quinta-feira: Novas mobilizações nas escolas
- Sexta-feira (1º de maio): Participação no ato do Dia do Trabalhador
- Segunda-feira: Mobilização na Câmara Municipal de BH acompanhando a CPI da Educação
Uma nova assembleia está marcada para a próxima sexta-feira, às 14h, na Praça da Estação, onde a categoria avaliará os rumos do movimento e a continuidade da paralisação.












