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Câncer de pênis, ânus e orofaringe: vacina contra HPV também é indicada para homens

22/07/2026 às 14h42
vacina hpv

Por muito tempo, a vacina contra o HPV (papilomavírus humano) ficou associada às meninas adolescentes, o que concentrou o vírus na associação com o câncer de colo de útero, mas o HPV também está por trás de cânceres de pênis, ânus e orofaringe, além de verrugas genitais, em homens.

O HPV está associado a cerca de 60% dos casos de câncer de pênis, 90% dos casos de câncer de ânus e 70% dos casos de câncer de orofaringe em homens. As verrugas genitais são causadas pelos subtipos 6 e 11, classificados como de baixo risco.

A infectologista do laboratório Hermes Pardini, Melissa Valentini, reforça que a vacinação traz benefícios mesmo depois do início da vida sexual. “O ideal é fazer a vacinação antes do contato sexual. Entretanto, mesmo após o contato inicial, há benefícios da vacinação, com redução no risco de câncer e proteção contra os outros subtipos virais”, afirma a médica.

Quanto mais pessoas vacinadas, menor a circulação do vírus na população, o que reduz a transmissão para quem não foi vacinado, incluindo mulheres. Países que adotam a vacinação há mais tempo que o Brasil já registram queda na prevalência de HPV na população em geral, inclusive entre não vacinados.

Vacinas disponíveis no Brasil

Duas vacinas contra o HPV estão disponíveis no país. A vacina quadrivalente, oferecida pelo SUS, protege contra os subtipos 6 e 11, associados a verrugas genitais, e os subtipos 16 e 18, associados a cerca de 70% dos cânceres de colo de útero.

A vacina nonavalente, disponível na rede privada, protege contra os mesmos quatro subtipos da quadrivalente e mais cinco subtipos: 31, 33, 45, 52 e 58. “Esses subtipos seriam responsáveis por cerca de 20% dos cânceres de colo de útero”, explica a infectologista.

Esquema de doses

Pelo calendário nacional, o SUS aplica a vacina quadrivalente em dose única para meninos e meninas de 9 a 14 anos. Está em vigor uma estratégia de resgate para adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não receberam a vacina entre os 9 e os 14 anos, também em dose única, com prazo até o fim do ano.

O SUS também oferece a vacina para grupos que têm indicação além da faixa etária geral. Pessoas imunocomprometidas de 9 a 45 anos, como pacientes em tratamento de câncer, transplantados e pessoas que vivem com o vírus HIV, recebem esquema de três doses.

A vacinação também é indicada para usuários de PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV), de 15 a 45 anos; vítimas de violência sexual, de 9 a 45 anos, com duas doses entre 9 e 14 anos e três doses entre 15 e 45 anos; e mulheres tratadas por lesões precursoras do câncer de colo de útero, com três doses.

Na rede privada, a vacina nonavalente pode ser aplicada em homens e mulheres de 9 a 45 anos, mediante pagamento. Após os 45 anos, a aplicação também é possível, com avaliação e prescrição médica. O esquema é de duas doses, com intervalo de seis meses, para pessoas de 9 a 19 anos sem comprometimento do sistema imunológico. A partir dos 20 anos, e para pessoas imunocomprometidas, o esquema passa a três doses, com a segunda dose aplicada dois meses após a primeira e a terceira, seis meses após a primeira.

Resposta em adultos

A resposta imunológica ocorre em adultos e diminui um pouco na comparação com adolescentes. O que muda com o tempo não é a força da vacina, mas a probabilidade de a pessoa já ter tido contato com o vírus.

“Como a pessoa já pode ter tido contato com o vírus, ela pode ter uma proteção menor pelo contato, e não porque a imunidade é pior”, esclarece a infectologista Melissa Valentini.

Por isso, a vacinação também é recomendada para mulheres que já tiveram lesões de câncer de colo de útero ou lesões pré-cancerosas, já que a proteção segue válida para os subtipos aos quais a pessoa ainda não teve contato.

Pedro Rocha Franco

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

Pedro Rocha Franco

Email: [email protected]

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

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