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Vacina da gripe causa gripe? Entenda por que isso é um mito

05/08/2026 às 14h38
vacina gripe MG
(Gil Leonardi/Imprensa MG)

Você já escutou ou falou alguma vez a frase: “tomei a vacina da gripe e gripei”? Apesar de ser uma ideia bastante difundida, isso não é possível de acontecer. Com ajuda de uma infectologista, o BHAZ explica por que a vacina contra a gripe não causa a doença e quais situações podem levar uma pessoa a acreditar que ficou gripada após a imunização.

Com a chegada do inverno e o aumento da circulação de vírus respiratórios, essa dúvida costuma reaparecer durante as campanhas de vacinação. Em entrevista ao BHAZ, Sheila Homsani, diretora médica de Vacinas da biofarmacêutica Sanofi, explica que a coincidência entre o período da vacinação, a circulação de outros vírus e o tempo necessário para o organismo criar proteção ajuda a manter esse mito.

Por que algumas pessoas acreditam que a vacina causa gripe?

Segundo Sheila, a vacinação contra a gripe acontece justamente durante o período em que há maior circulação do vírus influenza, além de outros vírus respiratórios que podem causar sintomas parecidos com os de um resfriado.

Após a aplicação da vacina, o organismo leva cerca de 15 dias para produzir anticorpos contra a gripe. Durante esse intervalo, a pessoa ainda pode ter contato com o vírus e desenvolver a doença.

Outro ponto é que a vacina protege contra a gripe, mas não contra todos os vírus respiratórios. Infecções causadas por outros agentes, como rinovírus e adenovírus, podem provocar sintomas como coriza, espirros e mal-estar, fazendo com que sejam confundidas com gripe.

“Quando você se previne contra a gripe, é só contra a gripe, não é contra o resfriado, porque resfriado é causado por outros vírus”, explica a médica.

Sheila também reforça que a vacina não tem capacidade de causar a doença, já que o vírus utilizado na composição está inativado. “A vacina não tem como causar doença, porque o vírus está morto. Então, ou a pessoa já estava com algum vírus ou ainda não deu tempo de desenvolver a proteção contra a gripe”, afirma.

Preciso tomar a vacina todos os anos?

Outra dúvida comum é sobre a necessidade de receber uma nova dose da vacina contra a gripe todos os anos. Segundo a especialista, isso acontece porque o vírus influenza sofre pequenas mutações ao longo do tempo, fazendo com que novas versões passem a circular.

Por isso, anualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha quais cepas do vírus estão presentes com maior frequência e orienta quais delas devem fazer parte da composição da vacina daquele período.

A vacinação funciona estimulando o sistema imunológico a criar uma memória de defesa contra o vírus. Porém, quando o influenza sofre mudanças importantes, essa memória pode não ser suficiente para reconhecer a nova versão do vírus.

“Às vezes, a mutação é tão importante que o nosso sistema imune não reconhece mais aquele vírus. Por isso, as vacinas são atualizadas todos os anos com os vírus que estão circulando”, explica Sheila.

A médica destaca que a atualização constante da vacina é uma forma de acompanhar as mudanças do vírus e manter a proteção da população contra as variantes com maior circulação.

Resfriado ou gripe? Como diferenciar

Um dos erros mais comuns é tratar resfriado e gripe como sinônimos. De acordo com o infectologista, o resfriado comum é caracterizado por sintomas respiratórios altos, como nariz entupido ou escorrendo, espirros frequentes e dor de garganta leve, com poucos sintomas sistêmicos, como febre e mal-estar.

Já a gripe, nome dado especificamente à infecção causada pelo vírus influenza, costuma vir acompanhada de acometimento sistêmico mais evidente: febre, mal-estar, prostração e dor muscular difusa. “É um quadro muito mais intenso, a gripe, do que o resfriado comum. O paciente fica muito mais prostrado”, descreve Moreira. Em casos mais graves, a gripe pode evoluir para uma pneumonia viral, com falta de ar e queda da saturação de oxigênio, perceptível até por um oxímetro doméstico.

Como se proteger em casa

Manter uma boa umidade do ar em casa ajuda a diminuir os quadros respiratórios, segundo o infectologista. Ele recomenda o uso de umidificadores ultrassônicos nos ambientes onde a pessoa passa mais tempo, como o quarto, mas com ressalva: um ambiente úmido demais também traz riscos, como o aumento de fungos e quadros alérgicos. “Não é bom que o ar seja muito seco, mas também não pode ser úmido demais a ponto de mofar as paredes da casa”, explica.

Manter a casa ventilada, e não somente em ambientes fechados, também é uma medida importante, já que a troca de ar reduz a chance de transmissão de doenças entre as pessoas que convivem no mesmo espaço.

Sobre o uso de máscaras, ele reforça que as máscaras cirúrgicas convencionais, as mesmas usadas durante a pandemia, continuam sendo úteis para evitar a transmissão de doenças respiratórias. Isso porque a maior parte dessas doenças é transmitida por perdigotos, gotículas relativamente grandes que não alcançam longas distâncias e são facilmente retidas por esse tipo de máscara. Segundo ele, tanto o vírus influenza quanto bactérias causadoras de pneumonia, vírus de resfriados comuns e o próprio coronavírus ficam retidos nas máscaras cirúrgicas convencionais, o que torna seu uso uma boa estratégia em ambientes fechados ou com aglomeração de pessoas.

A higienização adequada das mãos também é essencial, assim como os cuidados na hora de tossir. Segundo o infectologista, tampar a boca com a mão ao tossir contamina a mão, que depois espalha os germes ao cumprimentar alguém, tocar uma maçaneta ou abrir a porta de um carro. A recomendação é lavar as mãos com água e sabão ou usar álcool em gel a 70%, além de evitar tossir na mão. O ideal é tossir na parte interna do antebraço, que tem menor contato posterior com outras pessoas ou objetos. O uso de lenços descartáveis para tossir ou limpar o nariz, descartados imediatamente após o uso, é outra medida recomendada.

Lavínia Fernandes

Jornalista formada pela PUC Minas. Publicou um artigo sobre alfabetização midiática pela Intercom. Foi estagiária de assessoria de comunicação na ALMG. Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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