Você já escutou ou falou alguma vez a frase: “tomei a vacina da gripe e gripei”? Apesar de ser uma ideia bastante difundida, isso não é possível de acontecer. Com ajuda de uma infectologista, o BHAZ explica por que a vacina contra a gripe não causa a doença e quais situações podem levar uma pessoa a acreditar que ficou gripada após a imunização.
Com a chegada do inverno e o aumento da circulação de vírus respiratórios, essa dúvida costuma reaparecer durante as campanhas de vacinação. Em entrevista ao BHAZ, Sheila Homsani, diretora médica de Vacinas da biofarmacêutica Sanofi, explica que a coincidência entre o período da vacinação, a circulação de outros vírus e o tempo necessário para o organismo criar proteção ajuda a manter esse mito.
Por que algumas pessoas acreditam que a vacina causa gripe?
Segundo Sheila, a vacinação contra a gripe acontece justamente durante o período em que há maior circulação do vírus influenza, além de outros vírus respiratórios que podem causar sintomas parecidos com os de um resfriado.
Após a aplicação da vacina, o organismo leva cerca de 15 dias para produzir anticorpos contra a gripe. Durante esse intervalo, a pessoa ainda pode ter contato com o vírus e desenvolver a doença.
Outro ponto é que a vacina protege contra a gripe, mas não contra todos os vírus respiratórios. Infecções causadas por outros agentes, como rinovírus e adenovírus, podem provocar sintomas como coriza, espirros e mal-estar, fazendo com que sejam confundidas com gripe.
“Quando você se previne contra a gripe, é só contra a gripe, não é contra o resfriado, porque resfriado é causado por outros vírus”, explica a médica.
Sheila também reforça que a vacina não tem capacidade de causar a doença, já que o vírus utilizado na composição está inativado. “A vacina não tem como causar doença, porque o vírus está morto. Então, ou a pessoa já estava com algum vírus ou ainda não deu tempo de desenvolver a proteção contra a gripe”, afirma.
Preciso tomar a vacina todos os anos?
Outra dúvida comum é sobre a necessidade de receber uma nova dose da vacina contra a gripe todos os anos. Segundo a especialista, isso acontece porque o vírus influenza sofre pequenas mutações ao longo do tempo, fazendo com que novas versões passem a circular.
Por isso, anualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha quais cepas do vírus estão presentes com maior frequência e orienta quais delas devem fazer parte da composição da vacina daquele período.
A vacinação funciona estimulando o sistema imunológico a criar uma memória de defesa contra o vírus. Porém, quando o influenza sofre mudanças importantes, essa memória pode não ser suficiente para reconhecer a nova versão do vírus.
“Às vezes, a mutação é tão importante que o nosso sistema imune não reconhece mais aquele vírus. Por isso, as vacinas são atualizadas todos os anos com os vírus que estão circulando”, explica Sheila.
A médica destaca que a atualização constante da vacina é uma forma de acompanhar as mudanças do vírus e manter a proteção da população contra as variantes com maior circulação.
Resfriado ou gripe? Como diferenciar
Um dos erros mais comuns é tratar resfriado e gripe como sinônimos. De acordo com o infectologista, o resfriado comum é caracterizado por sintomas respiratórios altos, como nariz entupido ou escorrendo, espirros frequentes e dor de garganta leve, com poucos sintomas sistêmicos, como febre e mal-estar.
Já a gripe, nome dado especificamente à infecção causada pelo vírus influenza, costuma vir acompanhada de acometimento sistêmico mais evidente: febre, mal-estar, prostração e dor muscular difusa. “É um quadro muito mais intenso, a gripe, do que o resfriado comum. O paciente fica muito mais prostrado”, descreve Moreira. Em casos mais graves, a gripe pode evoluir para uma pneumonia viral, com falta de ar e queda da saturação de oxigênio, perceptível até por um oxímetro doméstico.
Como se proteger em casa
Manter uma boa umidade do ar em casa ajuda a diminuir os quadros respiratórios, segundo o infectologista. Ele recomenda o uso de umidificadores ultrassônicos nos ambientes onde a pessoa passa mais tempo, como o quarto, mas com ressalva: um ambiente úmido demais também traz riscos, como o aumento de fungos e quadros alérgicos. “Não é bom que o ar seja muito seco, mas também não pode ser úmido demais a ponto de mofar as paredes da casa”, explica.
Manter a casa ventilada, e não somente em ambientes fechados, também é uma medida importante, já que a troca de ar reduz a chance de transmissão de doenças entre as pessoas que convivem no mesmo espaço.
Sobre o uso de máscaras, ele reforça que as máscaras cirúrgicas convencionais, as mesmas usadas durante a pandemia, continuam sendo úteis para evitar a transmissão de doenças respiratórias. Isso porque a maior parte dessas doenças é transmitida por perdigotos, gotículas relativamente grandes que não alcançam longas distâncias e são facilmente retidas por esse tipo de máscara. Segundo ele, tanto o vírus influenza quanto bactérias causadoras de pneumonia, vírus de resfriados comuns e o próprio coronavírus ficam retidos nas máscaras cirúrgicas convencionais, o que torna seu uso uma boa estratégia em ambientes fechados ou com aglomeração de pessoas.
A higienização adequada das mãos também é essencial, assim como os cuidados na hora de tossir. Segundo o infectologista, tampar a boca com a mão ao tossir contamina a mão, que depois espalha os germes ao cumprimentar alguém, tocar uma maçaneta ou abrir a porta de um carro. A recomendação é lavar as mãos com água e sabão ou usar álcool em gel a 70%, além de evitar tossir na mão. O ideal é tossir na parte interna do antebraço, que tem menor contato posterior com outras pessoas ou objetos. O uso de lenços descartáveis para tossir ou limpar o nariz, descartados imediatamente após o uso, é outra medida recomendada.










