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Síndico se emociona e aborda ‘relação conturbada’ entre marido e capitã da PM morta em BH

21/07/2026 às 16h33
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(Ana Magalhães/BHAZ; Reprodução/Redes Sociais)

Dirceu de Oliveira, síndico do prédio onde Michelle Leão de Azevedo morava, no bairro Santa Cruz, região Nordeste de BH, revelou nesta terça-feira (21) que a administração já havia orçado a instalação de novas câmeras e o reforço da segurança por conta dos eventos frequentes no apartamento dela e do marido Eduardo Abner Pereira de Oliveira. Em entrevista ao BHAZ, ele também se emocionou e foi enfático ao classificar a relação dos policiais militares como “muito conturbada”.

Ao descrever o convívio entre os dois militares, Dirceu comentou que, apesar quase não perceber “nada de anormal”, a vizinhança relatava discussões do casal. “A gente via que era uma relação muito conturbada”, disse, ressaltando que Eduardo era mais agressivo verbalmente. “No caso dele era muito grito, desprezava ela demais, a gente ouvia palavras de muito desprezo”, desabafou o síndico.

Segundo o síndico, moradores do prédio chegaram a tentar intervir de forma indireta, mas havia o receio de sofrerem represálias. “Nós já fizemos denúncias anônimas [à Corregedoria]… a gente tinha as mãos atadas porque eles eram autoridades e o perfil dele era mais explosivo também. As pessoas tinham medo de relatar qualquer coisa”, explicou Dirceu. Para evitar confrontos diretos, o síndico contou que tinha uma estratégia para lidar com Eduardo. “Eu buscava tratar ele quase como uma criança. Elogiava ele. Nos dias que eu pedia para baixar o som, ele baixava” revelou.

Veja o vídeo:

Festas frequentes

De acordo com o síndico, a rotina do casal era marcada por festas longas que incomodavam a vizinhança. “Tinha semanas que tinha festa que às vezes durava três dias, 4 dias seguidos… começava às 10 horas da noite de um dia e acabava três dias depois, quatro dias depois, com um som constante de música. Era muito desgastante”, descreveu.

Por isso, ele disse que a administração já estava se movimentando para aumentar a vigilância no local. “A gente já tinha no orçamento equipamentos para alterar, colocar câmeras nos corredores dos apartamentos, de reforçar a nossa segurança justamente por causa dos eventos que estavam sendo feitos”, afirmou o síndico.

Rastros de sangue

Conforme relatou Dirceu, ele descobriu o crime após um morador alertar sobre marcas de sangue pelo prédio. “O vizinho me ligou falando que tinha observado que tinha sangue no corredor. O sangue vinha direcionado da porta do apartamento deles”, relatou o síndico. Ao seguir os vestígios, ele e outros moradores acompanharam o rastro até a garagem.

Depois, desconfiado sobre o que poderia ocorrido, o síndico teve acesso às câmeras de segurança do prédio e percebeu que Michelle havia sido retirada do local já “desfalecida”. “Fui abrir as imagens e percebemos que ele estava carregando ela e ela estava desfalecida. A gente não sabia se estava desmaiada ou se já estava sem vida. Foi um choque pra gente”, contou Dirceu emocionado.

Veja o que se sabe sobre o caso:

A capitã da Polícia Militar, Michelle Leão Azevedo, 41 anos, foi deixada sem vida no Hospital Odilon Behrens, em BH, na noite de segunda-feira (20). A equipe médica constatou que ela já estava morta há cerca de quatro a seis horas antes de dar entrada na unidade. O marido da vítima, o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, 37 anos, é o principal suspeito. Ele foi preso em flagrante por feminicídio e também por tráfico de drogas, após ser flagrado descartando comprimidos de ecstasy em uma lixeira do hospital.

Eduardo alega que o casal participou de uma confraternização com amigos regada a álcool e drogas no último de semana. Ele afirma que Michelle caiu de uma escada por volta do meio-dia, mas recusou ajuda médica por “constrangimento”. Disse ainda que praticaram atos sexuais consensuais de dominação com uso de cinto. O boletim de ocorrência descreve lesões traumáticas por todo o corpo, incluindo traumatismo craniano, hematomas e marcas compatíveis com chicotadas. No apartamento do casal, a perícia da Polícia Civil apreendeu um cabo de madeira quebrado e encontrou roupas de cama sendo lavadas, o que pode indicar tentativa de ocultar provas.

Relatos de abuso

A mãe de Michelle relatou que a filha vivia um relacionamento marcado por controle psicológico e humilhações, sendo chamada reiteradamente de “vagabunda” pelo marido. Michelle teria chegado a confessar a familiares que considerava Eduardo uma pessoa narcisista e que ele já havia empunhado uma faca contra ela durante uma discussão.

Vinícius Sampaio

Jornalista pela Universidade Federal de Viçosa. Foi repórter da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural de Viçosa (Fratevi). Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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