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Procuradoria do STJD pede interdição da Arena MRV e jogos do Atlético sem torcida

12/11/2024 às 08h59 - Atualizado em 12/11/2024 às 09h06
Fotógrafos relatam sentimento de insegurança ao cobrir jogos grandes na Arena MRV
Fotógrafo foi atingido por bomba e precisou ser hospitalizado e passar por cirurgia (Reprodução/GE)

A Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) denunciou o Atlético em razão das cenas de violência registradas na final da Copa do Brasil, disputada no último domingo (10). A denúncia pede a interdição imediata da Arena MRV até seu julgamento, que não tem data marcada. Com isso, o Galo pode perder o mando de campo de até dez partidas e terminar a temporada 2024 sem a presença da torcida.

No pedido pela interdição da Arena, a Procuradoria justificou a decisão pela “incapacidade da organização em garantir a segurança da partida”, fato considerado grave pelo órgão. O argumento é embasado por dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que determina a conduta de todas as pessoas e entidades ligadas diretamente à prática desportiva no Brasil. O documento é assinado por quatro procuradores: Paulo Dantas, Mariana Andrade Rabelo, Eduardo Araújo e João Marcos Siqueira.

Além da perda do mando de campo, que prevê a realização dos jogos do Atlético em outros estádios, o clube está sujeito ao pagamento de uma multa de até R$ 100 mil. A denúncia será analisada pelo presidente do STJD, Luis Octavio Veríssimo.

Selvageria

A denúncia do Tribunal Desportivo considerou a selvageria registrada na súmula da partida pelo árbitro Raphael Claus. O relatório, enviado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), registra bombas e outros objetos arremessados no gramado, tentativa de invasão de campo e até lasers mirados nos jogadores.

A pertubação teria começado ainda no primeiro tempo do jogo. “Informo que durante a partida, aos 12 minutos e aos 50 minutos, foi colocado um laser no rosto do goleiro visitante, vindo da arquibancada onde estava localizada a torcida mandante”, disse Claus no documento. A estratégia estaria sendo utilizada pra atrapalhar a visão do goleiro do Flamengo e facilitar o caminho do Atlético até o gol.

O uso de bombas no estádio, segundo o árbitro, foi constante na partida. “Foram arremessadas bombas no gramado explodindo próximo dos jogadores aos 9 minutos, 49 minutos, 50 minutos e 52 minutos, vindo da arquibancada onde estava localizada a torcida mandante”, registrou, em complemento: “Informo ainda que também foram arremessados copos plásticos no gramado aos 6 minutos, 45 minutos, 51 minutos e 82 minutos”.

A situação saiu do controle após o único gol da partida, marcado pelo Flamengo. “Após o gol da equipe visitante, durante a comemoração, foram arremessados diversos objetos no campo de jogo vindo da arquibancada onde estava localizada a torcida mandante, na direção dos jogadores que estavam comemorando e também na direção da área técnica da equipe visitante. Nesse momento, a partida ficou paralisada por 7 minutos”, anotou Raphael Claus.

O apito final agravou as ocorrências. “Momentos antes do início da premiação houve uma tentativa de invasão por parte de torcedores da equipe mandante de forma ostensiva, sendo contida pela segurança privada e posteriormente com o auxílio da polícia militar, que inclusive utilizou bombas de efeito moral para conter a referida tentativa”, acrescentou o árbitro.

Em nota, a Arena MRV lamentou os ocorridos e se colocou à disposição da Justiça para colaborar nas investigações. “O Atlético vai colaborar com as autoridades para identificar os infratores e tomará medidas enérgicas para que os fatos não se repitam no futuro”, disse.

O empresário Rubens Menin, sócio majoritário da SAF do Atlético, também se pronunciou sobre a confusão generalizada registrada no estádio no domingo. “Estamos atuando junto às autoridades para identificar os infratores, com o suporte das 351 câmeras instaladas. É um momento de reflexão e de mudanças profundas para evitar que situações assim se repitam. Não mediremos esforços para garantir que a Arena MRV seja um espaço absolutamente seguro para torcedores, profissionais e atletas”, disse através das redes sociais.

Fotógrafo ferido

Um fotógrafo precisou ser internado e passar por cirurgia após ser atingido por uma bomba na Arena MRV na final da Copa do Brasil. O explosivo, segundo testemunhas, foi arremessado por torcedores do Atlético depois do gol marcado pelo Flamengo.

Segundo a Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos de Minas Gerais (Arfoc-MG), Nuremberg José Maria foi atingido debaixo do pé. O profissional teve três dedos quebrados, além de rompimento de tendões. Ele foi levado para o Hospital João XXIII.

A Arfoc-MG informou que cobrou da Arena MRV e do Atlético-MG medidas para a segurança dos profissionais que atuam nos jogos, bem como a integridade dos equipamentos.

“A Arfoc-MG já havia relatado problemas desta natureza para a administração da Arena MRV. Foi acertado que medidas de segurança seriam implementadas. Mas, se foram, não são suficientes”, criticou a entidade. “A Arfoc-MG presta solidariedade a todos os seus associados e demais profissionais de imprensa atingidos pelos atos violentos promovidos por vândalos travestidos de torcedores do Atlético-MG”, completou.

Procurada, a administração da Arena também lamentou este ocorrido. “O Clube Atlético Mineiro está ciente e lamenta profundamente o incidente envolvendo o fotografo Nuremberg José Maria durante a final da Copa do Brasil. O clube entrará em contato com o profissional e oferecerá toda a assistência possível para sua recuperação e seguirá colaborando com as autoridades para identificação dos culpados”, informou.

Editado por: Sinara Peixoto

Thiago Cândido

Jornalista pela UFMG. Repórter no BHAZ desde 2023. Participou de reportagem vencedora do Prêmio CDL/BH de Jornalismo 2024.
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Email: [email protected]

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