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Supernosso adota IA para organizar escala 5×2 em lojas de BH

15/05/2026 às 16h14 - Atualizado em 16/05/2026 às 10h48
Supernosso adota IA para organizar escala 5x2 em lojas BH
(Reprodução/Divulgação)

O Supernosso passou a usar inteligência artificial para ajudar na implementação da escala 5×2 em lojas de BH. A iniciativa faz parte de projetos para aumento da qualidade de vida dos funcionários da empresa, que espera implementar o modelo completamente até agosto deste ano.

O projeto piloto começou no dia 2 de março, envolvendo cerca de 500 funcionários em três unidades do grupo, duas do Supernosso e uma do Apoio Mineiro. A jornada de trabalho foi reestruturada: a antiga escala 6×1, com média de 7h20 por dia, deu lugar ao modelo 5×2, com 8h48 diárias e dois dias de descanso semanal, em formato semelhante ao dos ambientes corporativos da empresa.

Segundo o diretor de Gente e Gestão, Jorge Feliciano, a ideia central é ampliar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, tanto para quem já atua nas lojas quanto para atrair novos profissionais para a empresa. “O projeto nasceu dentro de uma visão de gestão mais humanizada, com foco em ouvir os colaboradores e melhorar a qualidade de vida dentro e fora das lojas.”, disse ele.

No início, houve certa preocupação com o aumento de cerca de uma hora na jornada diária. Com o tempo, essa resistência foi diminuindo, especialmente depois da consolidação dos dois dias de folga semanais. A percepção também mudou quando os funcionários passaram a enxergar que a carga horária se aproximava da mesma praticada em ambientes de escritório, o que ajudou a tornar a adaptação mais tranquila.

Uso de IA

De acordo com Feliciano, o uso da inteligência artificial foi fundamental para dar mais eficiência à reorganização da rotina das lojas, ajudando a montar a primeira versão do sistema de escala. Ele afirma que, até aqui, o grupo não registrou queda de desempenho financeiro e observou redução de custos operacionais já que é menoss um dia no orçamento de Vale Transporte e Vale Refeição da empresa.

A implementação também trouxe ajustes na operação das unidades, com pequenas alterações no horário de funcionamento, em alguns casos, o fechamento foi antecipado em uma ou duas horas. Ainda assim, a empresa afirma que não houve impacto negativo nas vendas e que a adaptação do público ocorreu de forma rápida, com boa aceitação dos clientes.

A ação foi bem divulgada nas lojas, com cartazes e panfletos, e os clientes se adaptaram aos novos horários das lojas, o que foi percebido na alteração de horários do fluxo de caixa. “Hoje, a sociedade valoriza empresas que buscam esse equilíbrio.”, disse Feliciano.

A expansão do modelo já está prevista: a partir de junho, mais 12 lojas devem adotar a escala, seguidas por outras 12 em julho e mais 12 em agosto, ampliando gradualmente a mudança dentro da rede. Para a direção, o foco do projeto vai além dos indicadores econômicos e está na construção de um ambiente de trabalho mais equilibrado e sustentável no dia a dia das equipes.

Jorge comentou ainda sobre o projeto que tramita na Congresso Nacional pela proibição da escala 6×1 com redução para 40 horas semanais: “Não sofremos com a implementação do 5×2, não iremos sofrer com a decisão do governo, seja ela qual for”.

A escala 6×1

O governo federal enviou ao Congresso um projeto que propõe o fim da escala de trabalho 6×1, em que o trabalhador atua por seis dias seguidos e descansa um. A ideia central é reduzir a jornada semanal para até 40 horas, com mais equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, sem necessariamente cortar salários.

A proposta abre espaço para novas formas de organização do trabalho, podendo incentivar modelos com mais dias de descanso, como escalas 5×2, já adotadas em algumas empresas. O governo argumenta que a mudança pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, manter a produtividade, com ajustes na forma como as horas são distribuídas ao longo da semana.

Agora o texto segue para discussão no Congresso Nacional, onde deve enfrentar debates entre representantes de trabalhadores, empresas e parlamentares. O tema costuma gerar divisão: de um lado, quem defende mais descanso e saúde mental; do outro, quem aponta possíveis impactos nos custos e na operação dos setores.

Raul Costa

Graduando em Jornalismo pela UFMG e estagiário no BHAZ. Gosto jornalismo cultural, cultura pop e tudo que envolve contar boas histórias.

Raul Costa

Email: [email protected]

Estagiário do BHAZ

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