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Após desculpas da UFMG, UFJF também lamenta compra de corpos de Hospital Colônia de Barbacena

20/05/2026 às 11h37 - Atualizado em 20/05/2026 às 11h46
Após desculpas da UFMG, UFJF também lamenta compra de corpos de hospital psiquiátrico de Barbacena
(Reprodução: Redes Sociais/Arquivo Público Mineiro)

Após pedido de desculpas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) também publicou uma carta aberta em que pede desculpas à sociedade brasileira pela compra de corpos de pessoas internadas no Hospital Colônia de Barbacena, em atividades de ensino entre 1962 e 1971. A publicação foi feita na última segunda-feira, 18/05, data onde é celebrado o Dia da Luta Antimanicomial.

A universidade faz referência ao chamado “Holocausto Brasileiro”, descrito na obra da jornalista Daniela Arbex, que aponta que milhares de pessoas morreram no Hospital Colônia ao longo do século XX em condições de abandono e maus-tratos, além da comercialização de corpos para instituições de ensino.

No caso da UFJF, registros do Instituto de Ciências Biológicas confirmam o recebimento de 169 corpos no período citado, prática hoje reconhecida pela instituição como uma violação da dignidade humana. O documento também cita recomendações do Ministério Público Federal (MPF) e integra um movimento de reparação simbólica ligado à memória das vítimas da antiga instituição psiquiátrica.

Segundo o texto, essas ocorrências estavam inseridas em um contexto histórico de desumanização de pessoas internadas, muitas vezes tratadas como “desviantes” e afastadas do convívio social. A universidade reconhece que esse cenário foi sustentado por uma permissividade social da época, que normalizava práticas hoje consideradas eticamente inaceitáveis.

Como resposta, a UFJF afirma que pretende avançar em ações de reparação, como a criação de um memorial, campanhas de conscientização sobre saúde mental e direitos humanos e a inclusão do tema nos currículos da área da saúde. A instituição também reforça o programa “SEMPRE VIVO”, implementado em 2010, que estabelece o uso exclusivo de corpos doados voluntariamente para fins acadêmicos.

A reitoria, assinada por Girlene Alves da Silva e Telmo Mota Ronzani, reafirma o compromisso com a Reforma Psiquiátrica e a Luta Antimanicomial, defendendo o cuidado em liberdade e o fortalecimento do SUS. O posicionamento encerra destacando a necessidade de vigilância permanente para evitar retrocessos na área da saúde mental e na garantia de direitos humanos.

UFMG também pediu desculpas

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pediu desculpas públicas após reconhecer que comprou corpos de pacientes do Hospital Colônia de Barbacena para uso em aulas de anatomia. A prática ocorreu entre as décadas de 1960 e 1980, em um período marcado por graves violações de direitos humanos na instituição psiquiátrica, conhecida como “Holocausto Brasileiro”, onde milhares de pessoas morreram em condições de abandono.

Em declaração oficial, a universidade afirma que ao menos 1.853 corpos teriam sido comercializados para instituições de ensino em todo o país entre 1969 e 1981, sendo parte deles utilizados pela própria UFMG. No documento, a instituição reconhece que a prática “violou a memória e a dignidade” das vítimas e reforça que, mesmo sob justificativas acadêmicas, não é possível dissociar o episódio do contexto de violação de direitos humanos.

O pedido de desculpas integra um movimento de reparação simbólica e compromisso com a memória das vítimas. A universidade destacou que, atualmente, adota apenas a doação voluntária de corpos para fins de ensino e pesquisa, além de prever ações como criação de espaços de memória e inclusão do tema nos currículos da área da saúde, com o objetivo de evitar a repetição desse tipo de prática.

Últimos pacientes

Em abril deste ano, o Governo de Minas Gerais anunciou o fechamento definitivo do Hospital Colônia de Barbacena, que se tornou um dos maiores símbolos de violações de direitos humanos no Brasil ao longo do século 20. Mas para o fechamento do local acontecer, é necessário ainda transferir os últimos 12 pacientes internados no local. Desde a década de 1990, o antigo manicômio foi desativado.

O anúncio foi feito pelo governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), no dia 27 de abril de 2026, durante a sua passagem pela cidade. Na ocasião, ele afirmou que o encerramento da estrutura marca o fim de um capítulo da história de Barbacena. Segundo o governo estadual, os pacientes remanescentes não possuem vínculos familiares, não falam e vivem em condições específicas de saúde.

Raul Costa

Graduando em Jornalismo pela UFMG e estagiário no BHAZ. Gosto jornalismo cultural, cultura pop e tudo que envolve contar boas histórias.

Raul Costa

Email: [email protected]

Estagiário do BHAZ

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