Em pleno 2023, debates envolvendo prevenção e tratamento de ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) seguem um tabu para muita gente, mas foi pensando em informar com propósito, que um infectologista que trabalha em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, encontrou um modo descontraído de falar sobre o tema e, ao mesmo tempo, orientar com expertise.
O doutor Ricardo Kores, 35, soma mais de 61 mil seguidores no TikTok e 153 mil no Instagram com uma série de conteúdos leves sobre infectologia. Ele encontrou nas redes sociais uma chance de informar “sem pesar” o assunto, usando objetos e situações do dia a dia sobre prevenção de infecções como gonorreia, sífilis e HIV.
Nas publicações, Ricardo orienta sobre o que fazer e não fazer durante relações sexuais. Em um de seus posts, que já soma mais de 1 milhão de visualizações, o infectologista explica que sêmen nos olhos pode transmitir as principais ISTs (confira abaixo).
@dr.ricardokores Você sabia que esperma no olho pode transmitir essas ISTs? Além das infecções, pode causar irritação. Caso aconteça, você pode me procurar. ? Para agendar consulta online ou presencial, clique no link na bio. Ricardo Kores Médico Infectologista CRM 176104 RQE 94561
♬ som original – Ricardo Kores l Infectologista
‘Medicina é pra ajudar, não julgar’
Ao BHAZ, nesta terça-feira (28), o médico conta que teve muito contato com pessoas infectadas logo no início da profissão. Ele notou que muitos diagnósticos estavam relacionados à falha na prevenção, ou ainda, ao desconhecimento. Mesmo sabendo o que fazer, pacientes tinham dificuldades ou vergonha de fazer a prevenção correta na “hora H”.
Ricardo se formou em infectologia, na PUC, em 2021, quando o vírus da Covid-19 circulava a todo vapor. Já o curso de medicina ele fez pela Unicamp. Nos consultórios, ainda em São Paulo, o médico observava um padrão de qualidade muito ruim nos atendimentos. Assim, com a rotina, percebeu que gostaria de seguir por outro caminho.
“Via muitas consultas de 10 minutos, uma produção que os hospitais e clínicas acabavam exigindo do médico. E eu não queria fazer assim. Gosto de conversar, tirar dúvidas, deixar o paciente voltar pra casa com tudo resolvido”, narra.
No exercício da profissão, Ricardo notou que os próprios médicos têm preconceitos com pacientes que dizem não ter usado preservativo, por exemplo.
@dr.ricardokores No verão é batata: a herpes vai aparecer! Sol em excesso, poucas horas de sono, álcool em excesso, dieta desregulada e mais outros fatores contribuem para aparição da f3rid4. Eu sou médico infectologista e posso te ajudar a evitar que ela apareca. Agende uma consulta pelo link na bio. #herpes #herpesvirus #herpeszoster #infectologista #cuidandodasaude #fy ♬ som original – Ricardo Kores l Infectologista
Acessibilidade e sensibilidade na abordagem
Ricardo diz que se apaixona diariamente pela infectologia, especialmente porque já há medicações muito modernas que garantem qualidade de vida. Ele recorda que, décadas atrás, pessoas infectadas eram estigmatizadas – mas reconhece que, apesar dos avanços, o tema ainda demanda muita discussão.
Há algum tempo, em conversa com um amigo publicitário, Ricardo notou que poderia transformar seu conhecimento em conteúdo informativo. Um de seus primeiros posts virais foi orientando sobre as “preliminares” e a chance de contrair infecções por meio de secreções, “brincando na portinha”, coisa que muitos pacientes não sabem.
“Como médico eu tenho dever de focar no tratamento e prevenção, usando uma linguagem tranquila, do dia a dia, que todo mundo entenda sem medo ou sensacionalismo. Tendo as informações, a pessoa pode se prevenir e evitar o agravamento da doença”, garante.
Além de informar com diversão e leveza, Ricardo também compartilha conteúdo relevante sobre como se dirigir a pessoas infectadas. “Termos sorofóbicos para riscar do seu vocabulário” é uma das publicações em seu perfil do Instagram.
Caminho para discutir ISTs ainda é longo
A abordagem descontraída do médico acabou atraindo alguns “haters” ao longo do tempo. O infectologista avalia, porém, que a maioria dessas pessoas ainda não está preparada para conversar sobre as ISTs de forma acessível. Do outro lado, há as críticas positivas.
“Eu vejo que o pessoal acaba se sintonizando com a pegada de ter um profissional de saúde de referência falando a mesma língua, estando na mesma caminhada que eles. As pessoas acabam se sentindo à vontade e confiando nas informações, que são científicas e verídicas”, comemora.
“A dica maior é focar na prevenção. O propósito é a pessoa ter a informação e compartilhar com amigos, parceiros, de forma tranquila. Enfim, que seja um assunto que dê pra conversar”, finaliza o infectologista.








