Tadeu Schmidt dá ‘ultimato’ em brothers sobre pronome feminino para se referir a Linn da Quebrada

Lina Linn da Quebrada Ela tatuagem
Lina tem ‘ela’ tatuado na testa (Globo/Reprodução)

O apresentador Tadeu Schmidt deu espaço à cantora, atriz e apresentadora Linn da Quebrada, de 31 anos, durante o Big Brother Brasil de ontem (23), para reforçar às pessoas da casa e aos telespectadores qual pronome gostaria de ser tratada. A participante do “Camarote” explicou a tatuagem “ela” tatuada na própria testa. O discurso vem após uma série de descuidos com o pronome de Lina dentro do programa.

“Lina! Você tem o pronome ‘ela’ tatuado acima da sobrancelha. Eu queria que você explicasse por que você fez essa tatuagem e também que você dissesse mais uma vez, reforçando, como as pessoas devem se dirigir à você, devem tratar você”, começou o apresentador do BBB22.

A atriz reforçou que quer ser tratada nos pronomes femininos. “Eu fiz essa tatuagem por causa da minha mãe. Porque no começo da minha transição ou em parte da minha transição, a minha mãe ainda errava e me tratava no pronome masculino. Eu falei: ‘Mãe, ó, eu vou tatuar ‘ela’ aqui na minha testa para ver se a senhora não erra’”, relatou.

“E acho que assim é também uma indicação para todas as outras pessoas. Então ficou na dúvida? Lê e aí vocês lembram que eu quero ser tratada nos pronomes femininos“, explicou Lina, que recebeu elogios do apresentador: “Muito importante você ensinar isso, Lina, para os moradores da casa e para o Brasil inteiro para que erros não sejam mais cometidos. Muito obrigado!”.

Erros dentro da casa

Os “erros” mencionados por Tadeu Schmidt aconteceram na casa nos últimos dias. Eslovênia chamou Lina, duas vezes, no pronome masculino. Em conversa com a colega na primeira festa do BBB, na madrugada de ontem (23), a participante do “Pipoca” a chamou de “amigo”. “Aqui não, amigo“, disse Eslovênia. Instantaneamente, ela se corrige, dizendo “amiga”, e se justifica: “Eu fiz sem querer, sem perceber“.

Linn da Quebrada repreendeu a “sister”: “Amiga, não dá para ficar mais errando”. Eslovênia já tinha chamado a cantora, durante um almoço na semana passada, de “ele”. A médica Laís Caldas, outra integrante da “Pipoca”, também se referiu à cantora pelo pronome masculino.

Tudo começou quando Linn da Quebrada recebeu, por meio da nova plataforma de mensagens anônimas do reality, um torpedo questionando seu status de relacionamento. O problema é que a mensagem tratava a artista por pronomes masculinos.

A mensagem foi divulgada no início do último sábado (22) e rendeu centenas de críticas. Foi apenas durante durante a noite que a autoria do torpedo foi revelada: ele partiu de Laís. A revelação gerou mais revolta nas redes sociais, desta vez direcionada à médica. A equipe de Laís se manifestou (veja aqui).

Quem é a Linn da Quebrada?

A participação de Lina Pereira – cujo nome artístico é Linn da Quebrada – no BBB 22 tem acendido alertas importantes sobre o tratamento dispensado a travestis e pessoas trans no Brasil. E, para começar a entender a história da artista, é importante compreender sua identidade de gênero.

Ao BHAZ, a historiadora e comunicadora Giovanna Heliodoro explica que a origem do termo travesti está ligada à história da identidade de gênero no Brasil. “Primeiro é preciso dizer que é difícil definir um significado de uma identidade, uma vez que a gente passa por diversas revoluções ao longo da história. É importante conhecer um pouco do contexto do surgimento dessa palavra”, ressalta.

Giovanna reforça que a palavra travesti esteve por muito tempo associada às pessoas que estão à margem. “Esteve ligada à imagem da violência, trabalho sexual, roubo, morte… Então as pessoas têm dificuldade de entender que não é uma palavra pejorativa”, reforça (leia na íntegra aqui).

Edição: Vitor Fernandes

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