Vídeos de câmeras de segurança registraram investigados na chamada Farra do INSS planejando formas de esconder patrimônio e manter negócios ilícitos. As imagens, divulgadas pelo Estadão, mostram conversas ocorridas em uma mansão de luxo em Alphaville, na Grande São Paulo, exatos 30 dias após a Operação Sem Desconto da Polícia Federal.
Vídeos revelam plano para esconder dinheiro na ‘Farra do INSS
As gravações de 30 minutos ocorreram em 22 de maio de 2025, na residência de Anderson Cordeiro Vasconcelos. O material capturou diálogos na cozinha e na sala de estar do imóvel.
Durante a conversa, Igor Dias Delecrode reclamou de bloqueios judiciais em suas contas bancárias. Ele afirmou que pretendia migrar seus recursos para dólar digital, termo usado para se referir a criptomoedas, visando dificultar o rastreamento pelas autoridades.
Quem são os ‘Golden Boys’ e a ostentação do grupo
O grupo, batizado pelos investigadores como Golden Boys, é composto por quatro empresários entre 30 e 40 anos. Eles controlavam associações de aposentados apesar de estarem longe da idade de aposentadoria.
A ostentação do grupo atraiu a atenção da Polícia Federal. Durante as buscas, os agentes apreenderam 29 veículos de luxo, avaliados em R$ 28 milhões, pertencentes ao núcleo principal dos suspeitos.
O esquema bilionário: R$ 6,2 bilhões desviados
A investigação apura o desvio de R$ 6,2 bilhões diretamente da folha de pagamento de milhões de aposentados e pensionistas. O esquema utilizava quatro entidades de fachada: AASAP, Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev e ANDAPP.
Essas associações faturaram mais de R$ 700 milhões com descontos indevidos de mensalidades. Dados da Controladoria-Geral da União indicam que 98% dos aposentados não haviam autorizado tais descontos. Além disso, há suspeitas de pagamento de propina a servidores do INSS para manter as operações.
Confissões sobre lucros e a mentalidade do crime
Nos vídeos, Igor Delecrode afirmou que os ganhos do grupo eram superiores aos de empresas multinacionais. Ele relatou que um dos sócios, Felipe Macedo Gomes, teria dito que só montaria um negócio se fosse para roubar alguém, devido ao alto retorno financeiro.
Anderson Cordeiro Vasconcelos também expressou a crença de que o negócio voltaria a operar no futuro. As defesas dos empresários afirmaram desconhecer a existência dos vídeos e alegaram que a divulgação do material foi ilícita.

















