Um voo da companhia aérea flydubai que ia de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para Tel Aviv, em Israel, fez um pouso de emergência na Arábia Saudita nesta quarta-feira (30). Os dois pilotos entraram em confronto dentro da cabine de comando. Segundo passageiros e a imprensa israelense, o copiloto esfaqueou o comandante. Com cerca de 170 pessoas a bordo, a maioria israelenses, o avião perdeu quase 20 mil pés de altitude em poucos minutos e pousou no aeroporto de Tabuk, no noroeste saudita. A companhia afirma que todos os passageiros estão em segurança.
O voo FZ1073, um Boeing 737 MAX 8, decolou de Dubai às 3h05 (horário de Greenwich), 0h05 em Brasília. Dados do site de rastreamento Flightradar24 mostram que, pouco mais de duas horas depois, o avião viajava a cerca de 34 mil pés e fez uma sequência de descidas e subidas bruscas. Depois disso, caiu para cerca de 15 mil pés. Nesse intervalo, a tripulação acionou o código 7700, de emergência geral, e em seguida o 7500, usado para indicar interferência ilícita, como um sequestro. O pouso em Tabuk aconteceu por volta das 7h (horário de Greenwich), cerca de uma hora e meia depois do início da emergência.
Passageiros renderam o agressor
As primeiras informações falavam em uma “briga entre os pilotos”. Ao longo do dia, os relatos de quem estava a bordo mostraram um episódio mais grave. O empresário israelense Tzvika Manes, executivo do setor financeiro, contou ao site Calcalist que a mulher dele estava perto da cabine, esperando a filha sair do banheiro, quando ouviu gritos vindos de dentro. “Eu e outros dois homens entramos na cabine e dominamos o agressor. Estou coberto de sangue. Foi insano”, disse.
Segundo a imprensa israelense, quem atacou o comandante foi o copiloto, que teria nacionalidade omanense e usado um canivete. Uma passageira identificada apenas como Miriam contou ao canal i24NEWS: “Ouvimos gritos vindos da cabine, vimos muito sangue. Sentimos que era o fim, que íamos cair.”
De acordo com os relatos, um médico que estava a bordo socorreu o comandante ferido. A imprensa israelense diz que pilotos que viajavam como passageiros ajudaram a conduzir o avião até o pouso, mas a flydubai ainda não confirmou quem estava nos comandos.
Caças no ar e suspeita de terrorismo
Com o alerta de sequestro, Israel mandou caças da Força Aérea para o ar. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, fizeram uma reunião de emergência. Segundo o jornal The Jerusalem Post, autoridades de segurança israelenses avaliam que o copiloto tentou tomar o controle do avião, e cresce entre elas a suspeita de que o caso foi um ato de terrorismo. Uma fonte ouvida pelo jornal disse que “um grande desastre foi evitado por pouco”. Veículos israelenses afirmam que o Mossad, serviço de inteligência de Israel, participa da investigação. Até o momento, nenhuma autoridade confirmou oficialmente a motivação.
O gabinete do primeiro-ministro disse que “a situação está sob controle” e que todas as medidas estão sendo tomadas para trazer os passageiros israelenses de volta com segurança. Segundo autoridades do aeroporto de Tabuk, os dois pilotos ficaram feridos e foram levados a um hospital. O estado de saúde deles não foi divulgado.
O que diz a flydubai
Em nota, a flydubai confirmou que o voo “sofreu um incidente durante o trajeto” e que “todos os passageiros estão seguros”. “Nossas equipes estão trabalhando em estreita colaboração com as autoridades competentes”, diz o texto. A empresa afirma que vai divulgar novas informações quando houver detalhes confirmados. Segundo a imprensa israelense, a companhia vai mandar outro avião a Tabuk para levar os passageiros a Tel Aviv. Durante a espera, passageiros reclamaram da falta de informações, e há relatos de crianças dormindo no chão do aeroporto.
Precedente
Em 2022, dois pilotos da Air France foram suspensos depois de brigarem na cabine durante um voo entre Genebra e Paris. Naquele caso, o avião pousou normalmente no destino previsto. Os voos diretos entre os Emirados Árabes e Israel começaram em 2020, depois que os dois países normalizaram suas relações diplomáticas.

















