Presente cada vez mais no prato dos brasileiros, o ovo reúne em uma porção pequena uma quantidade de nutrientes que poucos alimentos conseguem oferecer. É o que explica a médica e professora da pós-graduação em nutrologia da Afya Educação Médica Montes Claros, Juliana Couto Guimarães, que classifica o ovo como um alimento de alta densidade nutricional.
“Ele apresenta uma proteína completa, de boa digestibilidade e com perfil adequado de aminoácidos essenciais, incluindo a leucina, importante para estimular a síntese de proteína muscular”, afirma.
O tema ganha destaque nesta sexta-feira (9), quando é celebrado o Dia Mundial do Ovo.
Pequeno no tamanho, gigante em nutrientes
Segundo a nutróloga, é na gema que está boa parte dos micronutrientes do ovo. Entre eles:
- Colina, importante para a integridade das membranas celulares, a função do fígado e a produção de acetilcolina;
- Vitamina B12, fundamental para a formação das células sanguíneas e o funcionamento do sistema nervoso;
- Vitaminas A, D e E, riboflavina e outras do complexo B;
- Minerais como selênio, fósforo, ferro e zinco;
- Luteína e zeaxantina, carotenoides relacionados à saúde dos olhos.
O segredo está na gema
Um desses nutrientes chama atenção também de quem estuda o cérebro. O médico e professor de Neurologia da Afya Montes Claros, Marcelo José da Silva de Magalhães, explica que a colina, encontrada em concentração especialmente alta na gema, tem papel direto em funções cognitivas.
“A colina desempenha diversas funções importantes no organismo. Ela é precursora da acetilcolina, um neurotransmissor fundamental para processos como memória, aprendizagem e atenção, além de participar da formação e manutenção das membranas celulares e do metabolismo lipídico”, detalha.
Segundo o neurologista, esse nutriente é uma das hipóteses para explicar os resultados de um estudo publicado em 2026 no The Journal of Nutrition, periódico da American Society for Nutrition. A pesquisa identificou que pessoas que consumiam ovos cinco ou mais vezes por semana tiveram risco 27% menor de diagnóstico de Alzheimer em comparação com quem raramente ou nunca comia o alimento. Em outra análise, não comer ovos esteve associado a um risco 22% maior da doença, na comparação com uma ingestão de cerca de 10 gramas por dia.
O erro que muita gente comete
Apesar das vantagens, a nutróloga alerta que um alimento saudável não precisa ser consumido em excesso para fazer bem. Ela chama atenção para dietas que circulam nas redes sociais recomendando quatro, cinco, seis ou mais ovos por dia.
“O principal cuidado é evitar que um alimento nutritivo venha acompanhado de excesso de gordura saturada, como no preparo com muita manteiga, gordura animal ou óleo, ou no consumo frequente com bacon, linguiça e queijos muito gordurosos”, orienta.
Ela lembra ainda que a gema contém colesterol e que algumas pessoas podem ter maior elevação do LDL com o aumento significativo do consumo, especialmente quem tem dislipidemia, hipercolesterolemia familiar, diabetes, doença cardiovascular ou maior risco cardiovascular.
Brasileiro nunca comeu tanto ovo
O alimento vive um momento recorde no país. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o consumo por habitante deve chegar a 301 unidades em 2026, o maior da história, um crescimento de até 4,5% em relação às 288 unidades de 2025.
O salto fica ainda mais evidente olhando para trás: em 2010, segundo a antiga União Brasileira de Avicultura (Ubabef), a média era de apenas 148,85 ovos por pessoa. Até 2025, o consumo praticamente dobrou, com alta acumulada de cerca de 93,5%.
Para atender à demanda, a ABPA estima que a produção nacional chegue a até 64,8 bilhões de unidades em 2026, avanço de 4,1% sobre os 62,253 bilhões do ano anterior.
O que aumenta o risco de Alzheimer
O neurologista explica que parte dos fatores de risco para o Alzheimer não pode ser modificada, como a genética (incluindo a presença do gene APOE ε4), a idade avançada, o histórico de traumatismo cranioencefálico e casos da doença na família.
“Por outro lado, existem os fatores de risco modificáveis, ou seja, aqueles sobre os quais o indivíduo pode atuar por meio de mudanças no estilo de vida. Nesse grupo estão a perda auditiva, a baixa escolaridade, a hipertensão arterial sistêmica, a obesidade, o tabagismo, a inatividade física, o diabetes mellitus, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a depressão, o comprometimento visual, a exposição à poluição atmosférica e o isolamento social”, conclui.

















