A Polícia Civil de Santos investiga como latrocínio a morte do engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos. Ele foi abordado e agredido por um grupo de homens no último sábado (24) após participar de um ato político no litoral de São Paulo.
Marcelo era mestrando em Ecologia Marinha na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e se descrevia nas redes sociais como apaixonado por livros e música. Na madrugada do crime, ele acompanhava uma apresentação da Banda Esquerdantina em apoio à reeleição do presidente Lula.
A vítima se afastou dos amigos para ir ao banheiro por volta das 3h da manhã. Ele foi encontrado desacordado por colegas na esquina da Avenida Conselheiro Nébias com a Rua Henrique Ablas.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) encaminhou Marcelo à Santa Casa de Santos em estado grave. A Polícia Militar foi acionada para o local, mas a vítima já havia sido socorrida quando os agentes chegaram.
Agressão gravada em live e dinâmica do roubo
O ataque foi registrado em uma transmissão ao vivo feita pelos próprios criminosos. Imagens divulgadas mostram um grupo formado por ao menos quatro a sete homens abordando o engenheiro.
Um dos suspeitos ordena que a vítima entregue o celular para não ser morta, utilizando frases como ‘está vendo a tropa, né?’. Após levar um soco e cair no chão, Marcelo teve seus pertences e o aparelho telefônico roubados.
Investigação e possíveis motivações
A Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) informou que a equipe do 4º Distrito Policial de Santos trabalha para identificar os agressores. O Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD) foi acionado para analisar imagens de redes sociais e câmeras de monitoramento em coordenação com empresas de tecnologia.
Embora a polícia classifique o caso como latrocínio, o grupo Esquerdantina manifestou repúdio à homofobia em nota oficial. A SSP-SP não confirmou se apura crimes de ódio como a motivação principal, mas utiliza depoimentos de testemunhas para individualizar a conduta de cada agressor.
Legado e doação de órgãos
A morte cerebral de Marcelo foi confirmada na segunda-feira (26) após a realização de exames de irreversibilidade. A família autorizou a doação de órgãos na terça-feira, alegando que este era um desejo do jovem em ajudar o maior número de pessoas possível.
A Unifesp lamentou a perda do estudante e repudiou a violência, afirmando que acompanha o caso desde a agressão. O pai da vítima, Marcelo Rodrigues da Rocha, declarou que lutará por uma investigação completa para punir os responsáveis.

















