A deputada estadual eleita Jessica Ramos Moreno (PL-PR), conhecida como Jessicão, utilizou as redes sociais para sugerir que empresários demitam funcionários que apoiam o PT. A parlamentar também incentivou consumidores a interromperem a contratação de serviços de pessoas identificadas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As publicações ocorreram logo após o segundo turno da eleição presidencial.
Nas mensagens publicadas, Jessicão foi direta ao recomendar a demissão de empregadas e funcionários petistas. Ela estendeu a orientação para relações comerciais, sugerindo a troca de profissionais como barbeiros caso fossem apoiadores do PT.
A parlamentar justificou as recomendações alegando que o voto no presidente prejudica a vida das famílias e os negócios de empresários. Ela encerrou a postagem com a frase “Demita o mal”.
Quem é Jessicão e seu perfil político
Jessica Ramos Moreno foi a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa do Paraná nas eleições, somando 131.673 votos. Ela exerce atualmente o mandato de vereadora em Londrina, onde está em seu segundo mandato.
Alinhada ao bolsonarismo, a deputada defende pautas conservadoras, como a proibição do uso de linguagem neutra em materiais didáticos. Recentemente, ela também publicou vídeos criticando pessoas LGBTQIA+ que apoiam Lula, questionando se esse grupo teria sido perseguido durante o governo de Jair Bolsonaro.
Além disso, a parlamentar já se manifestou contra a obrigatoriedade de máscaras em ambientes abertos durante a pandemia de Covid-19. Essas atitudes fazem parte de um cenário amplo de notícias políticas do Paraná marcado por forte polarização ideológica.
Contexto eleitoral e reações
As declarações surgiram após a reeleição de Lula, que obteve 64.256.232 votos, ou 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro, candidato do PL, recebeu 59.826.041 votos, representando 48,21% do total.
A diferença final entre os candidatos foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos. O resultado encerrou a tentativa do PL de retomar o controle do Executivo federal para 2027.
Implicações legais e precedentes judiciais
A sugestão de demissões por motivação política diverge de decisões recentes do Judiciário. A 45ª Vara do Trabalho de São Paulo determinou a remoção de um vídeo do médico Marcelo Sostena, que também orientava empresários a demitirem quem “fez o L”.
O juiz Eudivan Batista de Souza afirmou que tal conteúdo incentiva a discriminação política e viola a Constituição Federal. A decisão proibiu o uso de convicção política ou filiação partidária como critério para a manutenção ou extinção de vínculos de trabalho, sob pena de multa de R$ 10 mil por trabalhador prejudicado.
















