O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou nos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28). O avião particular em que estariam o senador e sua família pousou por volta das 10h25, no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, depois de partir da Argentina e fazer escala no Equador. Ele estava acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das filhas.
A chegada encerra mais de 24 horas de incerteza sobre o paradeiro do ex-presidenciável. Ele deixou o país mesmo com uma decisão do STF que determinou a entrega de seu passaporte e o proibiu de viajar ao exterior.
Derrota e ordem de Moraes
Flávio foi derrotado no domingo (25). Segundo o TSE, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. No fim da noite, o senador anunciou que não reconhecia o resultado e que pediria a anulação do segundo turno, criticando a prorrogação do horário de votação.
O ministro Alexandre de Moraes determinou a proibição de deixar o Brasil na noite do próprio domingo. Ao pedir a apreensão dos documentos, a Polícia Federal apontou riscos concretos e atuais de fuga. O pedido citou uma entrevista dada na sexta-feira anterior pelo irmão do senador, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Moraes é relator de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. O senador nega irregularidades.
Antes de sair do país, Flávio negou que pretendesse viajar e criticou a decisão do STF. Em vídeo, questionou: “Isso é motivo para tirar meu passaporte?”
Prazo vencido e passaportes cancelados
A PF deu 24 horas para que ele entregasse os passaportes comum e diplomático, e o prazo venceu às 11h de terça-feira (27). Como os documentos não foram entregues, a PF cancelou os passaportes brasileiros e informou que comunicaria o descumprimento a Moraes.
A rota: Foz do Iguaçu, Argentina e Equador
O site argentino Infobae publicou a primeira informação sobre a saída na madrugada de terça. Ao longo do dia, as versões foram desencontradas. A polícia brasileira não tinha registro oficial da saída, e o porta-voz do presidente argentino, Javier Milei, chegou a negar que ele tivesse entrado no país.
A confirmação veio à noite. Segundo comunicado das autoridades argentinas, Flávio atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, na província de Misiones. Ele entrou no país às 22h50 de terça com documentação válida e sem impedimento legal em aberto naquele momento. Brasileiros não precisam de passaporte para entrar na Argentina.
Há divergência sobre o documento usado. Segundo registros migratórios obtidos pelo Estadão, ele usou um passaporte italiano para entrar na Argentina. Flávio possui passaporte italiano, concedido em 2023.
Um Gulfstream G400 operado pela Baires Fly, matrícula LV-JQW, decolou de Puerto Iguazú às 0h22 (horário local) e pousou em Guayaquil às 3h46. Após reabastecer, a aeronave decolou novamente às 6h22 rumo a Miami. Ainda não está claro como Flávio entrou no Equador. Também não há informação sobre o proprietário do jato.
Vistos e apoio de Trump
O Departamento de Estado afirmou que daria vistos à família. Depois disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quarta que aprovaria a ida de Flávio ao país. Segundo O Globo, citando aliados, Eduardo recebeu o irmão em Miami e teria ajudado a coordenar a saída com autoridades americanas.
A saída ameaça aprofundar o atrito entre Brasil e EUA. Lula acusa Washington de conluio com a família Bolsonaro para devolvê-la ao poder, e afirmou que Flávio “deve alguma coisa” ou “tem medo da democracia”.
Próximos passos
O PT pediu ao STF a prisão de Flávio e o acionamento da Interpol. A PF também avalia pedir ao Supremo a prisão do senador e a inclusão de seu nome na difusão vermelha da Interpol.
Com a derrota, Flávio ficará sem cargo eletivo e sem foro privilegiado pela primeira vez em 24 anos.

















