O Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu nesta quarta-feira (28) que a Justiça condene o influenciador fitness e empresário Renato Cariani, de 50 anos. Os crimes são associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. O pedido foi feito por promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), na fase de alegações finais do processo que tramita na 3ª Vara Criminal de Diadema, na Grande São Paulo.
Cariani responde em liberdade e nega as acusações.
O MP também pede a condenação, pelos mesmos crimes, dos empresários Fábio Spinola Mota e Rodrigo Gomes Pereira. Ao mesmo tempo, a promotoria pediu a absolvição de duas rés: Roseli Dorth, sócia de Cariani, e Andréia Domingues Ferreira.
Pena pode chegar a 51 anos
Se a Justiça acolher integralmente o pedido, a pena de cada réu pode ir de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de prisão em regime fechado, além de multa. O cálculo é do advogado criminalista Anderson Almeida. Ele considera a condenação por associação para o tráfico, 59 crimes de tráfico de insumos e 59 de lavagem de dinheiro.
O que diz o MP
Segundo os promotores, a Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa de Diadema da qual Cariani é sócio, simulou 59 vezes vendas de produtos químicos para empresas que nunca fizeram os pedidos. Ainda de acordo com o Gaeco, o próprio influenciador criou pedidos fictícios para justificar os desvios.
Um dos episódios citados pelo MP aconteceu em fevereiro de 2018. Na ocasião, Cariani teria autorizado a retirada, fora do horário de expediente, de 100 litros de éter etílico e 50 quilos de cloridrato de lidocaína. A carga estava faturada em nome da farmacêutica AstraZeneca, que depois informou às autoridades que nunca havia comprado os produtos. Os promotores também afirmam que ele entregou à Polícia Federal comprovantes de retirada com placas de veículos, documentos e carteiras de habilitação falsos.
Mensagens com policial
Parte central da acusação são mensagens extraídas do celular de Cariani. Segundo o Gaeco, elas mostram uma relação próxima do influenciador com um policial civil que atuava justamente no controle de produtos químicos usados no refino de drogas.
Pelas conversas, Cariani recebia informações sobre diligências e sugeria empresas a serem fiscalizadas. Para o MP, ele agia para proteger o esquema e também para prejudicar concorrentes. A promotoria afirma ainda que o influenciador teria induzido o arquivamento de uma investigação anterior.
Os promotores sustentam que as mensagens provam que Cariani sabia do destino dos insumos. Em uma conversa de abril de 2019, questionado pelo policial sobre determinada substância, ele teria respondido que ela era “utilizada para aumentar o rendimento da cocaína”.
O que diz a defesa
Em nota, o advogado Aldo Romani Netto, que representa Cariani, afirmou receber “com naturalidade” o pedido de condenação. Segundo ele, o MP apenas repetiu a tese que defende desde o início do processo. A defesa diz que vai rebater cada ponto da acusação nas suas alegações finais, com base nas provas reunidas ao longo da instrução, e que confia na absolvição do influenciador.
Próximos passos
Com a manifestação do MP, o processo entra na fase de alegações finais da defesa. Depois disso, caberá à Justiça de Diadema dar a sentença, que pode ser de condenação ou de absolvição.
Relembre o caso
Cariani foi um dos alvos da Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023. Segundo a investigação, a Anidrol emitia notas fiscais falsas simulando vendas a grandes laboratórios farmacêuticos. Os produtos químicos, na verdade, abasteciam o tráfico, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC). As autoridades estimam que o material desviado seria suficiente para produzir toneladas de cocaína e crack.
O caso começou a ser investigado depois que a AstraZeneca informou às autoridades, em 2019, que não reconhecia compras feitas em seu nome. Em fevereiro de 2024, a Justiça aceitou a denúncia do MP, e Cariani e mais quatro pessoas viraram réus.
A defesa tentou levar o caso para a Justiça Federal, argumentando que a investigação começou na PF. O pedido foi negado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, em dezembro de 2025, também pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que manteve o processo em São Paulo.
Com mais de 11 milhões de seguidores no Instagram, Cariani é fisiculturista, químico e educador físico, e um dos nomes mais conhecidos do universo fitness no país.

















