Financiar a casa própria ficou mais caro em três dos maiores bancos privados do país. Bradesco, Itaú e Santander elevaram, na última semana de outubro, as taxas de juros do crédito imobiliário para novos contratos.
O Bradesco abriu a fila na segunda-feira (26). O Itaú seguiu na quinta-feira (29), e o Santander aplica as novas taxas a partir desta sexta-feira (30). Juntos, os três bancos responderam por cerca de 55% do valor financiado para compra de imóveis entre janeiro e setembro de 2026, segundo a Abecip, associação das entidades de crédito imobiliário.
O aumento mais forte foi o do Bradesco: a taxa da principal linha saltou cerca de 3 pontos percentuais, para 15% ao ano mais TR. Para o especialista em crédito imobiliário Paulo Prado, cofundador da MySide, o salto foge do padrão do mercado, em que os reajustes costumam ficar entre 0,1 e 1 ponto percentual.
Como ficaram as taxas
As taxas abaixo são as mínimas divulgadas, acrescidas da Taxa Referencial (TR), hoje em torno de 2% ao ano. As condições finais variam conforme o perfil do cliente.
| Banco | Vigência | Antes (% ao ano + TR) | Agora (% ao ano + TR) |
|---|---|---|---|
| Bradesco (linha principal) | 26/10 | 11,99% | 15% |
| Bradesco (clientes Private) | 26/10 | 11,70% | 13,60% |
| Itaú | 29/10 | 11,99% | 12,95% |
| Santander | 30/10 | 11,69% | 12,49% |
No Itaú, a taxa para clientes Private começa em 12,89% mais TR. Para quem não é correntista, pode chegar a 14,85% mais TR.
Por que os juros sobem se a Selic está caindo
Os bancos atribuem o reajuste à alta dos juros futuros, e não à Selic. A taxa básica caiu de 14% para 13,75% ao ano em setembro, mas o crédito imobiliário é um empréstimo de até 30 ou 35 anos, precificado pelas expectativas de longo prazo.
Essas expectativas mudaram bruscamente na segunda-feira (26), primeiro dia útil após a reeleição do presidente Lula (PT). Houve forte aversão ao risco no mercado: o contrato de DI para janeiro de 2031 saltou de cerca de 12,64% para 15,28% em um único pregão.
Isso pesa porque boa parte do dinheiro emprestado não vem mais da poupança, e sim de títulos como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), que acompanham o CDI e duram de um a três anos. Com os juros futuros em alta, os bancos esperam pagar mais para renovar essa captação ao longo de contratos de décadas.
Em nota, o Itaú disse que o ajuste busca refletir as condições atuais de captação e preservar a sustentabilidade das operações. O Bradesco afirmou ter atualizado as taxas “em função do aumento verificado nas taxas de juros do mercado”. O Santander declarou que acompanha os indicadores econômicos e avalia continuamente seus produtos.
Nem todos veem uma mudança duradoura. Uma fonte do mercado ouvida pelo InfoMoney avaliou que a reação dos investidores foi exagerada e que o mercado já dava sinais de normalização na terça-feira (27), o que indicaria um movimento de proteção momentâneo.
Quanto a parcela fica mais cara
No Bradesco, a primeira parcela de um financiamento de R$ 300 mil pode subir cerca de R$ 670, alta de 18%. A conta considera 30 anos de prazo (360 meses) pelo Sistema de Amortização Constante (SAC), sem TR, seguros ou tarifas.
| Banco | 1ª parcela antes | 1ª parcela agora | Diferença |
|---|---|---|---|
| Bradesco | R$ 3.677,72 | R$ 4.347,81 | + R$ 670,09 (+18,2%) |
| Itaú | R$ 3.677,72 | R$ 3.893,21 | + R$ 215,49 (+5,9%) |
| Santander | R$ 3.610,03 | R$ 3.790,16 | + R$ 180,13 (+5%) |
O impacto vai além da prestação. Como os bancos limitam quanto da renda pode ser comprometida, parcelas maiores reduzem o valor que uma família consegue financiar. Na prática, o comprador pode precisar dar uma entrada maior ou escolher um imóvel mais barato.

















