A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta reforçando que a venda e o uso de suplementos alimentares com ashwagandha são proibidos no Brasil. A erva de origem asiática ganhou popularidade nas redes sociais, principalmente no TikTok, onde é promovida como calmante natural e como alívio para os sintomas da perimenopausa.
O comunicado cita o caso da britânica Lois Kinder, de 44 anos, que sofreu falência hepática, paradas cardíacas e danos cerebrais graves depois de consumir o produto diariamente.
O caso
Mãe de dois filhos, moradora do condado de Cheshire, na Inglaterra, Lois levava uma rotina ativa e saudável até começar a tomar gomas de ashwagandha que conheceu por meio do TikTok. Durante cerca de um ano, ingeriu o suplemento todas as manhãs. O produto, comprado pela internet, custava 5 libras, o equivalente a aproximadamente R$ 33.
Ela buscava reduzir o estresse e aliviar sintomas da perimenopausa, como oscilações de humor, dificuldade para dormir e a chamada “névoa mental”. Depois de apresentar vômitos e icterícia (pele e olhos amarelados), foi internada, colocada em coma induzido e incluída na lista de espera urgente por um transplante de fígado.
Lois sobreviveu à cirurgia, mas sofreu três paradas cardíacas durante o procedimento. As complicações deixaram sequelas neurológicas, e ela segue em reabilitação. Segundo a família, os médicos perguntaram logo nos primeiros exames se ela vinha usando suplementos à base de ashwagandha.
O que diz a Anvisa
Em nota, a agência reforçou que o produto não tem registro no país. “Sua fabricação, comercialização, distribuição e uso são proibidos no país. A substância não integra a lista de ingredientes autorizados para uso nesse tipo de produto”, afirmou.
A proibição não é nova: está em vigor desde novembro de 2022. A única forma permitida de uso no Brasil é a manipulada, preparada mediante prescrição de médico ou nutricionista com especialização em fitoterapia.
A Anvisa também lembrou que suplementos alimentares podem ser úteis para quem precisa reforçar a ingestão de algum nutriente ou pratica atividade física intensa, mas não servem para tratar doenças. “É terminantemente proibido vincular o uso desses produtos a alegações de cura, tratamento e prevenção de doenças”, diz o texto.
O que é permitido
As regras para suplementos no Brasil estão na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 243/2018. Pela norma, esses produtos só podem conter substâncias autorizadas, além de aditivos e ingredientes de uso tradicional em alimentos, usados para dar sabor, cor ou aroma, por exemplo.
São itens de consumo oral, vendidos em forma de cápsulas, comprimidos, pastilhas, pó ou barras, e destinados a complementar a alimentação de pessoas saudáveis com nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos.
“Nem todas as pessoas precisam utilizar esses produtos”, alertou a agência. Segundo a Anvisa, a decisão de suplementar deve ser tomada com um profissional de saúde, considerando o estado de saúde, a alimentação e a rotina de exercícios de cada pessoa. Cabe a esse profissional indicar o tipo de suplemento, a dose e a forma de uso.
Riscos
De acordo com a Anvisa, a maior parte dos problemas ligados a suplementos envolve produtos irregulares, seja por conterem substâncias não avaliadas pelos órgãos reguladores, seja por falhas na fabricação.
Mas produtos legalizados também podem fazer mal quando usados sem necessidade ou fora das instruções. Por isso, a agência recomenda seguir à risca as orientações do fabricante, respeitando dosagens, advertências e restrições indicadas no rótulo.
Embora raros, casos de lesão no fígado associados à ashwagandha já foram descritos na literatura médica em vários países. Em 2023, médicos da Índia publicaram uma série de casos em que pacientes com doença hepática prévia evoluíram para insuficiência grave após o uso da erva.

















