Uma descarga de água avermelhada na Geleira Taylor, na Antártida, revelou a existência de uma comunidade ativa de micro-organismos de origem marinha. O fenômeno, conhecido como Cachoeira de Sangue, localiza-se nos Vales Secos de McMurdo, uma região caracterizada por terreno rochoso e baixa precipitação.
O que é a Cachoeira de Sangue na Antártida?
O fluxo emerge da Geleira Taylor e mancha o gelo branco com uma tonalidade vermelha intensa. Apesar da aparência, a cor não provém de sangue biológico, mas de uma salmoura rica em ferro que percorre o subsolo glacial.
A Nasa descreve a localização exata do fenômeno na extremidade da geleira, junto ao Lago Bonney. A coloração chamou a atenção de exploradores ainda em 1911, durante a expedição de Thomas Griffith Taylor.
A ciência por trás da cor vermelha
A coloração ocorre quando a água rica em ferro dissolvido atinge a superfície e entra em contato com o oxigênio do ar. Esse processo de oxidação funciona de forma similar à ferrugem do metal.
Análises publicadas em 2022 identificaram nanoesferas de ferro nos materiais da queda, acompanhadas de silício, cálcio e alumínio. O pesquisador Ken Livi, da Universidade Johns Hopkins, utilizou microscopia eletrônica para confirmar que essas partículas possuem uma estrutura desordenada.
Como a água permanece líquida abaixo de zero
A água do sistema é uma salmoura com alta concentração de sais, o que reduz seu ponto de congelamento. Além da salinidade, a liberação de calor durante o congelamento parcial da água ajuda a manter o líquido fluido em temperaturas extremas.
Para mapear esse caminho, cientistas utilizaram radar de sondagem do gelo. Um estudo de 2017 publicado no Journal of Glaciology identificou a região de salmoura no interior da Geleira Taylor através do contraste entre a solução salina e o gelo de água doce.
Vida marinha ancestral: a descoberta de DNA
Um estudo de agosto de 2026 na revista Nature Geoscience encontrou micro-organismos marinhos ativos, como diatomáceas, na lama vermelha da região. As diatomáceas representaram entre 60% e 80% dos organismos analisados nas amostras próximas à cachoeira.
A análise de RNA confirmou que esses organismos estão vivos e respondendo ao ambiente, com genes ativos para reparo celular e sobrevivência em salinidade. A hipótese principal é que a água do oceano entrou no vale em períodos mais quentes e ficou isolada sob o gelo por longos períodos geológicos.
Além de diatomáceas, a equipe identificou dinoflagelados, ciliados e haptófitas. Esses organismos descendem de espécies marinhas que foram selecionadas por condições extremas, utilizando cistos ou esporos para sobreviver a longos períodos de inatividade.

















