A Polícia Civil deflagrou a Operação Por Elas na manhã desta quarta-feira (21) para interditar os centros cirúrgicos do Grupo Celita Toledo. A ação ocorreu em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro, motivada pela investigação de três mortes de pacientes após a realização de procedimentos estéticos.
Operação Por Elas: interdição de centros cirúrgicos em Laranjeiras
Agentes da Delegacia do Consumidor (Decon) cumpriram mandados de busca e apreensão na Rua Soares Cabral. O alvo foi o Grupo Celita Toledo, que engloba o Hospital Ênio Serra, o Laranjeiras Plastic Day Hospital e o Centro de Estética Celita Toledo.
Todos os centros cirúrgicos dos três estabelecimentos foram interditados por ordem judicial. Fiscais do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) e do Instituto Municipal de Vigilância Sanitária (Ivisa-Rio) acompanharam a operação.
Motivações da Investigação: mortes e sequelas
A Polícia Civil apura mais de 30 denúncias de pacientes contra o grupo médico. Outras fontes indicam que a especializada investiga ao menos 25 queixas formais sobre a qualidade dos serviços.
As apurações apontam que pacientes sofreram mutilações, deformidades e sequelas permanentes após as intervenções cirúrgicas. Durante a ação, agentes apreenderam medicamentos com prazo de validade vencido.
Um histórico de irregularidades já havia sido registrado em agosto deste ano. Naquela ocasião, policiais apreenderam produtos fora do prazo de validade e Adriano Silva do Nascimento, dono de um dos estabelecimentos, foi preso em flagrante por crimes contra a relação de consumo.
Irregularidades graves e atuação de alunos
Investigações revelaram que alunos de pós-graduação em cirurgia plástica realizavam procedimentos sem a supervisão de um médico. Essa prática é considerada indevida e representa um risco grave à segurança dos pacientes.
O delegado Wellington Vieira afirmou que a clínica recusava sistematicamente a entrega de prontuários médicos aos pacientes. A polícia encontrou documentos guardados em salas misturadas, sem qualquer método de organização ou arquivamento técnico.
Orientações para pacientes e restituição de valores
O delegado titular da Decon orientou que pacientes com cirurgias marcadas para outubro e possivelmente novembro procurem a unidade para restituir os valores pagos. Ele enfatizou que a interdição ocorre porque há irregularidades e falhas graves no sistema de segurança dos pacientes.
Apesar da interdição cirúrgica, o setor ambulatório e o atendimento de médicos seguem funcionando normalmente. Vítimas de irregularidades foram instruídas a procurar delegacias da Polícia Civil para informar qualquer problema ocorrido após a operação.

















