As eleições de meio de mandato realizadas nessa terça-feira (3) nos Estados Unidos entraram para a história por uma série de marcos inéditos. Pela primeira vez, os americanos elegeram um muçulmano e um homem abertamente gay para o Senado, além da primeira mulher negra a comandar um estado no país.
Primeiro senador muçulmano
Em Michigan, o democrata Abdul El-Sayed, progressista com formação em saúde pública, derrotou o ex-deputado republicano Mike Rogers na disputa pela vaga aberta no Senado, segundo a Associated Press, tornando-se o primeiro muçulmano eleito para a Casa. Filho de imigrantes egípcios, El-Sayed é médico epidemiologista e ex-diretor de Saúde Pública do condado de Wayne. Rogers tinha o apoio de Trump. Durante a campanha, El-Sayed defendeu o fim do apoio militar dos EUA a Israel e contou com o apoio de nomes da ala progressista, como Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez.
Primeiro senador gay
Em New Hampshire, o deputado Chris Pappas derrotou o ex-senador John E. Sununu e se tornou o primeiro homem abertamente gay eleito para o Senado americano. A vitória ajuda os democratas a manter uma cadeira considerada-chave e faz de Pappas apenas a terceira pessoa LGBTQ+ eleita para a Casa. A vaga foi deixada pela senadora democrata Jeanne Shaheen, que se aposentou após três mandatos.
Primeira governadora negra
Na Geórgia, a democrata Keisha Lance Bottoms foi eleita governadora e se tornou a primeira mulher negra eleita para governar um estado americano, ao derrotar o empresário republicano Rick Jackson. Ex-prefeita de Atlanta, ela venceu apesar de uma enorme desvantagem de gastos. O bilionário Jackson investiu mais de US$ 200 milhões da própria fortuna na campanha. Bottoms é a primeira democrata a vencer uma eleição para governador na Geórgia desde 1998. Até hoje, apenas três pessoas negras haviam sido eleitas governadoras na história do país, todos homens democratas.
Os republicanos também tiveram vitórias: na Flórida, Byron Donalds foi eleito o primeiro governador negro do estado.
Democratas retomam o Congresso
Além dos marcos históricos, a eleição mudou o equilíbrio de poder em Washington. Os democratas conquistaram a maioria tanto na Câmara quanto no Senado, e Trump terá um Congresso controlado pela oposição nos dois últimos anos de governo. A AP confirmou a vitória democrata na Câmara na madrugada desta quarta-feira, completando a conquista das duas Casas. A apuração ainda não terminou em alguns distritos, e o tamanho final das bancadas pode mudar.
Um dos resultados mais simbólicos veio do Texas. O deputado estadual James Talarico venceu o procurador-geral Ken Paxton, aliado próximo de Trump, numa das disputas mais caras e acompanhadas do ano, segundo a AP. Foi a primeira vitória democrata para o Senado no Texas desde 1988 e a primeira em uma eleição estadual desde 1994. No mesmo estado, a democrata Gina Hinojosa derrotou o governador republicano Greg Abbott, segundo projeção da CBS News.
Trump e aliados despejaram milhões na disputa texana, e o presidente usava Talarico em comícios como símbolo nacional dos democratas, o que reforça a leitura de que o resultado foi um recado das urnas à Casa Branca.

















