A Polícia Civil de São Paulo investiga uma sequência de mortes violentas que vem assustando moradores da capital. Desde 5 de setembro, 13 corpos foram encontrados em diferentes regiões da cidade. Muitos estavam dentro de sacos plásticos, enrolados em cobertores ou lençóis, amarrados, esquartejados, decapitados ou carbonizados.
Os dois casos mais recentes entraram na contagem nas últimas 24 horas. Na tarde de quarta-feira (21), o corpo de um homem foi achado em avançado estado de decomposição em uma área de mata da Avenida Coronel Sezefredo Fagundes, no Tremembé, na Zona Norte. O caso foi registrado como morte suspeita. Na manhã desta quinta (22), outro homem, ainda não identificado, foi encontrado boiando no Rio Tietê, na altura do Jaguaré, na Zona Oeste. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o corpo também estava em decomposição, e ainda não há informações sobre a causa da morte.
O caso de maior repercussão da semana ocorreu na madrugada de quarta-feira (21). Policiais militares que patrulhavam a pista local da Marginal Tietê, na altura do Parque Novo Mundo, na Zona Norte, abordaram dois homens por volta da 0h20. Segundo a PM, a dupla atirou contra a equipe. Um dos suspeitos foi baleado e morreu no local, e o outro fugiu. Perto dali, os agentes encontraram a cabeça e outras partes do corpo de uma mulher dentro de sacos de lixo. Segundo a polícia, a mulher já foi identificada, mas o nome não foi divulgado.
De acordo com a PM, o homem morto tinha passagens por estelionato e crime contra a dignidade sexual. Um revólver calibre 38 com numeração raspada foi apreendido. O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) vai apurar se ele tinha relação com a morte da mulher. Até agora, não há confirmação oficial dessa ligação.
Serial killer? Polícia diz que não
A semelhança na forma como parte dos corpos foi abandonada levou internautas a levantar a hipótese de um assassino em série agindo em São Paulo. A teoria viralizou no início de outubro, quando a contagem era menor.
A diretora do DHPP, delegada Ivalda Aleixo, veio a público rebater essa versão. “Não existe nenhuma evidência de que um serial killer está agindo em São Paulo”, afirmou em vídeo nas redes sociais. Segundo ela, os casos têm dinâmicas diferentes e só foram agrupados na internet porque alguns corpos estavam em sacos, cobertores ou tecidos. De acordo com a polícia, essas práticas são comuns em homicídios, para facilitar o transporte das vítimas e dificultar a identificação.
O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, foi na mesma linha e classificou os episódios como mortes distintas, em locais distintos. Ainda assim, o Núcleo de Perfilamento Criminal do DHPP compara os casos e analisa possíveis conexões geográficas entre eles.
‘Tribunal do crime’ é a principal linha
A principal hipótese investigada é a de execuções ligadas ao chamado “tribunal do crime”, julgamentos clandestinos promovidos por facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) contra pessoas acusadas de descumprir regras do grupo. As apurações também apontam motivações como dívidas de drogas, discussões e retaliações em conflitos locais.
Segundo a delegada, as vítimas não foram mortas nos locais onde os corpos apareceram: foram executadas em outro ponto e depois transportadas. Em vários casos, havia sinais de espancamento, tortura, estrangulamento e mutilação. Alguns corpos estavam com as mãos amarradas e em posição fetal.
A polícia, porém, evita cravar a tese. Ivalda Aleixo afirmou que ainda não é possível confirmar a participação de um tribunal do crime, já que as investigações estão em fase inicial.
Três mandados de prisão
No dia 14 de outubro, a Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária de três suspeitos de envolvimento em parte dos homicídios, além de mandados de busca e apreensão. Os nomes não foram divulgados e, até a última atualização, nenhum deles havia sido localizado. A polícia também não informou a quais casos os suspeitos estão ligados.
Das 11 vítimas contabilizadas até quarta (21), oito haviam sido identificadas: sete homens e uma mulher. Os homens achados no Tremembé e no Jaguaré ainda não tiveram a identidade confirmada.

















