Uma jovem de 18 anos esfaqueada no pescoço pelo namorado horas depois do resultado do segundo turno da eleição presidencial deixou a UTI nessa sexta-feira (30) e foi transferida para a enfermaria. Clara Thaís Silva Maia foi atacada na madrugada da última segunda-feira (26), em Umarizal, cidade da região Oeste do Rio Grande do Norte. Segundo a advogada da família, a agressão aconteceu depois que ela comemorou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O suspeito, Eduardo Ronald de Sousa Ferreira, também de 18 anos, foi preso em flagrante. Após audiência de custódia, na terça-feira (27), a Justiça converteu a prisão em preventiva. A Polícia Civil apura se a divergência política foi o motivo do ataque, hipótese que, segundo a corporação, ainda não está confirmada.
O que se sabe sobre o ataque
Clara estava na casa do namorado quando foi golpeada com uma faca na região do pescoço. Os ferimentos atingiram a traqueia.
De acordo com a advogada da vítima, Helena Belmont, o ataque ocorreu durante uma discussão sobre o resultado da eleição. Ela afirma que Eduardo estava “transtornado” com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL), candidato que ele apoiava. Segundo a advogada, foi o próprio investigado quem acionou a polícia, por volta das 2h.
Os policiais que atenderam a ocorrência encontraram a jovem caída no chão, com sangue espalhado pelo cômodo e uma faca próxima ao corpo. Ainda conforme a defesa de Clara, o relatório policial registra que Eduardo admitiu verbalmente aos agentes ter golpeado a namorada. Na delegacia, porém, ele optou por ficar em silêncio.
Investigação
O delegado Raphael Laboissiere lavrou o auto de prisão em flagrante por tentativa de feminicídio, mas ressaltou que a tipificação pode ser revista conforme o avanço das investigações.
A Polícia Civil pede que quem tiver informações sobre o caso procure a delegacia ou faça denúncia anônima pelo Disque-Denúncia 181.
Recuperação
Clara passou por uma cirurgia de emergência para tentar recuperar a traqueia e foi internada em uma UTI na região. Apesar da gravidade dos ferimentos, ela evoluiu bem: foi extubada nesta semana, voltou a respirar sem a ajuda de aparelhos e chegou a dar alguns passos, segundo a advogada.
A mãe da jovem, Monária Maia, contou que a filha ainda não consegue falar, apenas emite alguns sons, e precisará passar por novos procedimentos. Por orientação médica, Clara deve permanecer em silêncio durante a recuperação.
Seis meses de namoro
Clara e Eduardo namoravam havia cerca de seis meses. Segundo Monária, com a aproximação da eleição, o rapaz passou a frequentar passeatas em apoio a Flávio Bolsonaro, enquanto a família da jovem é eleitora de Lula. A mãe afirma, no entanto, que nunca presenciou comportamento agressivo do namorado da filha em conversas sobre política.
Próximos passos
Helena Belmont informou que vai atuar como assistente de acusação no processo, para que o caso seja enquadrado como tentativa de feminicídio, e que vai buscar o apoio multidisciplinar previsto na Lei Maria da Penha para a jovem. A advogada disse estar certa de que o Ministério Público vai denunciar Eduardo por feminicídio tentado.
A defesa de Eduardo não havia sido localizada até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

















