O juiz de direito Gustavo de Castro Campos, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), foi encontrado morto na noite desta quarta-feira (7) dentro de um carro em chamas na zona rural de São João da Boa Vista, no interior paulista. O corpo estava no banco do motorista de um Volvo XC60, parcialmente carbonizado, e a Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte. O caso é tratado como morte suspeita.
São João da Boa Vista fica a 217 km da capital paulista. O magistrado trabalhava em Mococa, a 77 km da cidade onde o corpo foi encontrado.
Como o carro foi encontrado
Segundo o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi chamada por volta das 20h14, após a denúncia de um veículo em chamas na Estrada de Terra Euclides Dotta, que leva à Fazenda Aliança. Quando a PM chegou, o Corpo de Bombeiros já estava no local e tinha controlado o fogo.
Antes disso, um operador de máquinas que passava pela estrada usou uma retroescavadeira para jogar terra sobre o carro e tentar apagar as chamas. Ele disse à polícia que os vidros escuros e a fumaça forte impediram que visse alguém dentro do veículo. O corpo só foi notado pelos bombeiros depois que o incêndio foi extinto.
A identificação foi feita a partir de uma tatuagem no lado esquerdo do abdômen e de documentos pessoais encontrados na carteira, que estava dentro do carro.
O que a perícia encontrou
Os peritos localizaram um galão com forte odor de gasolina na parte da frente do carro, perto dos pedais. O corpo também tinha cheiro intenso de combustível, segundo o registro policial.
Pela avaliação preliminar descrita no boletim, não havia sinais aparentes de ferimentos por arma de fogo ou arma branca, nem marcas visíveis de violência. Também não há indícios de que algo tenha sido levado: a aliança continuava no dedo da vítima e a carteira estava no console da porta.
O carro foi apreendido e o corpo levado ao Instituto Médico-Legal (IML) para exame necroscópico. A conclusão sobre a causa da morte depende do laudo, já que, com o corpo carbonizado, não foi possível verificar marcas de tiros ou de agressão.
Investigação
A Polícia Civil abriu inquérito pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São João da Boa Vista. Entre as medidas estão análise de imagens, depoimentos de testemunhas e exames periciais. O boletim não traz conclusão sobre a causa da morte, não esclarece como o fogo começou e não indica autoria ou confirmação de crime.
Quem era o juiz
Gustavo de Castro Campos trabalhou como advogado por dez anos e depois foi delegado da Polícia Civil do Espírito Santo, em 2014 — mesmo ano em que passou a atuar como juiz substituto na Justiça capixaba. Estava havia 12 anos no TJSP, onde passou pelas comarcas de Tambaú, Leme e Mococa, sua lotação atual.

















