Uma ligação que parecia engano salvou uma mulher e o filho dela, de apenas três meses, na Grande São Paulo. A Polícia Militar resgatou o bebê e deteve um homem suspeito de violência doméstica no domingo (18), no Jardim Jussara, em São Bernardo do Campo. A intervenção começou depois que a mãe da criança ligou para o 190 e simulou um pedido de pizza para pedir socorro sem levantar suspeitas.
A ligação
O atendente da PM atendeu a chamada de emergência e a mulher respondeu como se tivesse ligado para um restaurante: “É da pizzaria?”. Ao ser perguntada se estava tudo bem, ela disse que não, manteve o disfarce de quem faz uma encomenda, passou o endereço e pediu que a PM avisasse por telefone quando estivesse chegando.
Com a viatura já perto da casa, a Central de Emergências voltou a ligar para a vítima e, mantendo o código, avisou que “a pizza havia chegado”. A estratégia serviu para colher mais informações e orientar a saída dela do imóvel com segurança.
Bebê sozinho e com dificuldade para respirar
Aos policiais, a mulher relatou ameaças e agressões cometidas pelo ex-companheiro. Segundo ela, depois de uma agressão, o homem levou o filho do casal para a casa dele e continuou a ameaçá-la.
As equipes fizeram buscas na comunidade até localizar o imóvel. Lá dentro, o bebê estava sozinho sobre uma cama, com roupas cobrindo o rosto e prejudicando a respiração. Os policiais retiraram as peças na hora, e a criança voltou a respirar normalmente. Depois, o bebê foi devolvido à mãe.
Em seguida, o suspeito foi encontrado e detido. Ele alegou ter saído por pouco tempo, deixando o bebê sozinho. As câmeras corporais dos agentes registraram a abordagem: o homem se apresenta como pai da criança e é algemado e levado para a viatura. O caso foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher de São Bernardo do Campo, e o homem ficou à disposição da Justiça. O nome dele não foi divulgado para preservar a identidade da criança.
Não é a primeira vez
O “pedido de pizza” virou um recurso conhecido de vítimas que não podem falar abertamente. Chamadas desse tipo ficaram mais frequentes depois que casos anteriores ganharam repercussão, e os atendentes são treinados para identificá-las.
Em Andradina, no interior paulista, uma mulher de 54 anos pediu autorização ao suposto agressor para comprar comida e, ao fazer o pedido, discou 190 torcendo para que o policial entendesse. Em São José do Rio Preto, uma jovem de 26 anos usou o mesmo artifício para denunciar que era mantida em cárcere privado; um homem de 30 anos foi preso em flagrante. No Distrito Federal, em 2024, outra vítima disfarçou o pedido de socorro reclamando de uma pizza atrasada; o suspeito foi preso e autuado com base na Lei Maria da Penha.

















