A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, é a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (9), em Oslo, pelo Comitê Norueguês do Nobel.
Segundo o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, Pillay foi reconhecida por seus esforços na promoção da paz e do direito internacional. Ao justificar a escolha, Frydnes fez um alerta sobre o cenário global.
“No momento em que o número de guerras e conflitos está aumentando e em que os juízes e as instituições de direito internacional estão sob ataque político, o Comitê Nobel deseja lembrar que a capacidade de resolver conflitos sem força ou violência depende do Estado de Direito internacional”, afirmou.
“Um sistema jurídico internacional em que os criminosos de guerra sejam responsabilizados e as vítimas de abusos vejam a justiça ser feita é condição essencial para um mundo pacífico”, acrescentou.
Da luta contra o apartheid aos tribunais internacionais
Pillay cresceu na África do Sul sob o apartheid, o regime de segregação racial que vigorou no país até o início dos anos 1990. Foi uma das primeiras mulheres de ascendência indiana a exercer a advocacia no país e se destacou na defesa de ativistas antiapartheid.
Mais tarde, atuou como juíza e presidente do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado pela ONU para julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994. Nessa função, ajudou a estabelecer o marco jurídico internacional que reconhece a violência sexual como ato de genocídio e crime de guerra.
Entre 2008 e 2014, Pillay ocupou o cargo de alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Comissão sobre Gaza
Mais recentemente, a jurista liderou uma comissão da ONU que investigou violações de direitos humanos em Israel e nos territórios palestinos. O grupo concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza, acusação que o governo israelense rejeita.
Sucessora de María Corina Machado
Pillay sucede a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, premiada em 2025 por seus “esforços incansáveis” na promoção dos direitos humanos e das liberdades na Venezuela e pela defesa de uma transição “justa e pacífica” da “ditadura para a democracia”.
Machado entregou sua medalha do Nobel ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pouco depois de Washington ter deposto o então presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Considerado por muitos o prêmio mais prestigiado do mundo, o Nobel da Paz recebeu neste ano indicações para 287 candidatos, um quarto deles organizações. A cerimônia de entrega acontece tradicionalmente em 10 de dezembro, em Oslo.

















