Rebeca Andrade voltou ao lugar mais alto do pódio mundial. Na manhã deste sábado (24), no ginásio Rotterdam Ahoy, em Roterdã, na Holanda, a ginasta brasileira conquistou o título do salto no Campeonato Mundial de Ginástica Artística com média de 14,466 pontos. É o terceiro ouro dela no aparelho em Mundiais, depois de 2021 e 2023.
As norte-americanas Claire Pease (14,233) e Skye Blakely (14,166) completaram o pódio. Simone Biles, que não competiu nesta edição e esteve em Roterdã como convidada de honra, acompanhou a final da arquibancada.
Execução no lugar da dificuldade
A vitória teve um roteiro diferente dos títulos anteriores. Depois de um ano sabático em 2025, Rebeca voltou às competições com um repertório mais conservador e deixou de fora o Cheng, salto de 5,6 de dificuldade que lhe rendeu duas medalhas olímpicas e os ouros mundiais de 2021 e 2023.
Na final, ela abriu com um Yurchenko com dupla pirueta. Em seguida, fez o Lopez, uma versão mais simples do Cheng, e recebeu 14,133. Com a bonificação por apresentar saltos em direções diferentes, fechou com 14,466.
A principal ameaça ao ouro era a sul-coreana Yeo Seojeong, medalhista olímpica, que abriu com a maior nota individual da final. Mas ela caiu no segundo salto e terminou com média de 13,716, longe do pódio.
Claire Pease, que executou o Cheng, ficou com a prata após dois saltos com execução abaixo da de Rebeca, no segundo, saiu das linhas do colchão. Skye Blakely, campeã do individual geral na sexta-feira, levou o bronze e sua terceira medalha no Mundial.
Ao lado de Cheng Fei
Com o resultado, Rebeca passa a dividir com a chinesa Cheng Fei, campeã em 2005, 2006 e 2007, o posto de maior vencedora da história do salto em Mundiais, justamente a ginasta que dá nome ao salto que levou a brasileira a seus títulos anteriores. Simone Biles, campeã em 2018 e 2019, tem dois ouros no aparelho.
Rebeca também se torna a primeira atleta do Brasil a ser tricampeã mundial numa mesma prova da ginástica artística. Até aqui, ela e Diego Hypolito, bicampeão no solo, tinham dois títulos cada em seus aparelhos.
O primeiro título veio em 2021, no Japão, semanas depois do ouro olímpico em Tóquio, com folga de nove décimos sobre a segunda colocada. O bicampeonato, em 2023, na Antuérpia, foi decidido num duelo direto com Biles, que caiu ao tentar o Yurchenko duplo carpado.
Dez medalhas em Mundiais
O ouro deste sábado é a décima medalha de Rebeca em Campeonatos Mundiais, quatro de ouro (salto em 2021, 2023 e 2026 e individual geral em 2022), quatro de prata e duas de bronze. Somadas às seis medalhas olímpicas (dois ouros, três pratas e um bronze), a coleção reforça o status de maior medalhista olímpica da história do país.
A conquista também devolve o Brasil ao pódio mundial: na edição de 2025, em Jacarta, disputada sem Rebeca, o país não ganhou medalhas.

















