O Sistema Único de Saúde (SUS) começa a oferecer nesta semana nove novos medicamentos de alta tecnologia para o tratamento do câncer. Segundo o Ministério da Saúde, esta é a maior inclusão de remédios oncológicos já feita na rede pública, e a oferta vai cobrir 100% da demanda por esses produtos.
Os medicamentos são indicados para 13 tratamentos diferentes e devem beneficiar mais de 116 mil pessoas em todo o país. A distribuição começa por 20 centros de tratamento, em 16 estados e no Distrito Federal. Minas Gerais está na lista, ao lado de São Paulo, Paraná, Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Pará, Amazonas, Rio de Janeiro, Paraíba, Goiás, Rondônia, Rio Grande do Sul, Tocantins e Sergipe. A previsão é que os demais centros recebam os remédios até o fim do ano.
Só a compra desses nove produtos vai custar R$ 155,4 milhões por ano.
Quais são os novos medicamentos
- Trastuzumabe: câncer de estômago ou da junção esofagogástrica
- Abemaciclibe: câncer de mama precoce (RH+, HER2-, com linfonodo positivo)
- Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos
- Pazopanibe: câncer de rim de células claras metastático
- Rituximabe: leucemia linfocítica crônica (primeira linha), linfoma folicular e linfoma difuso
- Abiraterona: câncer de próstata resistente à hormonioterapia, metastático ou não, e câncer metastático sensível à hormonioterapia
- Gefitinibe: câncer de pulmão de não pequenas células, em primeira linha
- TSH recombinante (alfatirotropina): câncer diferenciado de tireoide com indicação de iodo radioativo
- Sunitinibe: câncer de rim de células claras metastático e GIST avançado ou metastático após falha do imatinibe
De acordo com o ministério, cada remédio age de um jeito, conforme o tipo de tumor, o estágio da doença e o perfil do paciente. Os principais ganhos são o aumento da sobrevida e uma melhor qualidade de vida. Alguns também são indicados depois da cirurgia, quando já não há sinal visível do tumor, para evitar que a doença volte.
Meta de 23 remédios até dezembro
O pacote faz parte de um plano maior. O governo quer chegar a 23 novos medicamentos oncológicos no SUS até o fim do ano, o que ampliaria em 35% as opções de tratamento na rede pública. O impacto total estimado é de R$ 4 bilhões por ano.
Para chegar lá, o ministério passou a comprar e negociar diretamente dez desses remédios. Para outros nove, organizou uma ata que permite aos estados comprarem pelo menor preço. Nos quatro restantes, aumentou os repasses para os serviços oncológicos do SUS.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fez o anúncio em cerimônia no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Segundo ele, a ampliação da rede de câncer coloca o paciente no centro do cuidado, com mais acesso a exames, diagnóstico preciso e tratamento no tempo certo. “Também estamos fortalecendo as condições de trabalho dos profissionais de saúde, com serviços mais estruturados e uma rede pública cada vez mais preparada para atender às necessidades da população”, afirmou.
Rastreamento do câncer de intestino
Outra novidade é o rastreamento do câncer colorretal. O ministério vai distribuir a todos os estados 400 mil testes imunoquímicos fecais, conhecidos pela sigla FIT. O exame será feito em homens e mulheres de 50 a 75 anos sem sintomas, para identificar quem precisa fazer colonoscopia e confirmar o diagnóstico. A precisão do teste é de 92%.
“Nós estamos construindo o maior programa público de rastreamento do câncer de colo retal do mundo. Não existe país do mundo que vai fazer o que nós estamos fazendo”, disse Padilha.
O SUS também está implantando o rastreamento do câncer do colo do útero pelo teste DNA-HPV. Como complemento, o ministério vai financiar a citologia reflexa em meio líquido, que aproveita a mesma coleta para analisar amostras com sinais de alerta. Serão R$ 2,7 milhões por ano para mais de 131 mil testes.
Além disso, o ministério passa a custear cirurgias videotorácicas oncológicas, usadas principalmente no câncer de pulmão. A técnica é minimamente invasiva, feita com pequenas incisões, câmera e instrumentos específicos, e reduz o tempo de internação e as complicações depois da operação.
Hospitais parceiros e hospital inteligente
Na mesma cerimônia, Padilha assinou o compromisso do Proadi-SUS para os próximos três anos, com R$ 4 bilhões em investimentos. O valor equivale a um terço de tudo o que o programa recebeu em 17 anos (R$ 11 bilhões). Fazem parte do Proadi hospitais como Albert Einstein, Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa, Moinhos de Vento, A.C. Camargo e Hcor. Segundo o ministro, muitos deles hoje têm mais leitos dedicados ao SUS do que ao atendimento particular.
O ministro também anunciou o primeiro hospital 100% inteligente do SUS, que será implantado no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em parceria com o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI). O projeto prevê UTIs conectadas e com inteligência artificial, permitindo monitoramento remoto em tempo real, além da modernização dos laboratórios de anatomia patológica. Com o telediagnóstico, o prazo de entrega de laudos de biópsia deve cair de uma semana para 48 horas.

















