[Recorte de Ideias] Morre Bruno. Morre Dom Philips. Morre um pouco da floresta

dom e bruno pereira
Dom Phillips e Bruno Pereira (Marcos Corrêa/PR + Reprodução/TV Globo)

*Por Henrique Hélcio Eleto dos Santos

O mês de julho, em que se comemora o Dia das Florestas no dia 17, reacende em nós uma dor ainda aberta: a morte do indigenista Bruno Araújo Pereira e a do jornalista britânico, Dom Phillips, no Vale do Javaí, onde atuavam para defender os povos indígenas e a floresta amazônica. Eles estavam ali, na hora errada. Hora errada sempre essa para quem procura sensibilizar o coletivo, em um mundo de interesses particulares.

Para muitas empresas e governos sempre aparecemos na hora errada. Nesses anos de carreira na Siderurgia e parceria na Mineração, nem sei contabilizar quantas portas foram fechadas, quantos discursos foram desacreditados, quantos “nãos”, quantas restrições de orçamento, quantos “me liga depois”. Lógico, e quero deixar bem claro, está crescendo um movimento forte em busca do certo, da perenidade, da sustentabilidade. Uma onda espontânea, valorosa e que nos ajuda a “engrossar o coro” – como nós, mineiros, dizemos.

E, dentro dessa causa toda, acredito que podemos, sim, trabalhar com equilibro de forças. No meu caso, como vemos resíduos industriais virarem fertilizantes, corretivos, pavimentos ecológicos, construções e outros, também é possível ver progresso, desenvolvimento, recuperação da autoestima, descobrimento da vocação e de um trabalho. Vi resíduo virar nascentes, pontes, estrada que leva até a escola e promove educação, leva até a cidade, aos hospitais. Mais saúde, economia, alimento. Tudo isso a partir do resto, ou melhor, do que foi lixo das indústrias instaladas em cidades, montanhas, próximo de parques, comunidade, rios e lagos.

Porque se chegar em um espaço que não é seu, exige relacionamento. Tem sim que se pedir licença, criar vínculo, entender dos cenários e espaços. Respeitar gente, animal, as florestas e toda a vida que há ali para gerar vida e prover a nossa própria vida.

Nasce esperança, nasce sonho, só quando entendermos que tudo está ligado. Aí sim se encontra argumento, motivo, e possibilidade de coexistência entre a extração, produção e preservação. Que pena, Bruno, triste demais, Dom. As florestas, um berço da vida, não deveriam significar mortes, mas sim, ressignificar.

Sobre o autor

Henrique Hélcio Eleto dos Santos é CEO da Biosfera Soluções Sustentáveis e consultor em sustentabilidade. Com carreira na área, foi premiado nacional e internacionalmente pela idealização e condução de projetos pioneiros e sustentáveis nas áreas de gestão de resíduos e coprodutos, inovação e desenvolvimento de pessoas e novas tecnologias, bem como realização de projetos de cunho ambiental e social. Professor, palestrante, autor de artigos e consultor de negócios. No currículo acumula experiências em grandes empresas como Usiminas, Sebrae-MG, PUC Minas e Bradesco.

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