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Igrejas de Sabará: um passeio histórico pela cidade mineira

29/11/2025 às 13h07 - Atualizado em 29/11/2025 às 14h39
Igreja Nossa de Nossa Senhora do Carmo (à esquerda) e altar da Igreja Nossa Senhora do Ó (à direita) (Leonardo Fonseca/BHAZ)

A história de Sabará começa no fim do século XVII, quando a descoberta de ouro às margens do Rio das Velhas atraiu bandeirantes e deu origem aos primeiros arraiais que estruturariam a futura cidade. Como em outras áreas mineradoras de Minas Gerais, a vida cotidiana se organizava em torno da fé, e as igrejas de Sabará passaram a funcionar não apenas como espaços religiosos, mas também como referências urbanas, sociais e culturais.

Hoje, esse patrimônio transforma a cidade em um destino relevante para o turismo religioso em Minas Gerais. Mais do que admirar altares e fachadas históricas, quem visita as igrejas de Sabará entende de que maneira a fé ajudou a construir um dos conjuntos arquitetônicos mais antigos e representativos do estado, localizado a menos de uma hora de Belo Horizonte. Conheça as igrejas da cidade:

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Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição

Considerada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como uma das igrejas mais ricas de Minas Gerais pela exuberância da talha dourada que reveste seu interior, a Matriz Nossa Senhora da Conceição começou a ser construída em 1750. O piso da nave central é feito com antigas lápides, e o teto, formado por caixotões de madeira, traz pinturas simples com símbolos ligados à ladainha de Nossa Senhora, contornadas por filetes dourados.

A arquitetura da igreja mostra diferentes fases do barroco mineiro e possui elementos decorativos com influência oriental, conhecidos como “chinesices”. Nas laterais, a matriz reúne oito altares: três de cada lado da nave e dois próximos ao arco-cruzeiro. Eles seguem o estilo nacional português, típico da primeira fase do barroco em Minas, e usam colunas torsas, também chamadas de salomônicas.

Fotos: Leonardo Fonseca/BHAZ

Igreja de Nossa Senhora do Ó

Em 1717, os próprios devotos deram início à construção da igreja que se tornaria cartão postal de Sabará. Há indícios de que artesãos vindos de possessões portuguesas no Oriente tenham trabalhado na obra, o que explicaria os elementos decorativos de influência asiática. Segundo o IPHAN, um documento de 1721 cita o pintor Jacinto Ribeiro, natural de Índia e morador de Minas desde 1711, como possível autor das “chinesices” da capela.

O interior também chama atenção pelo conjunto de painéis e pelo teto em caixotões. São ao todo quinze painéis decorativos com ramagens e cartelas que trazem símbolos ligados à Virgem Maria. Nas paredes laterais, outros quatorze painéis apresentam cenas sobre o nascimento e a infância de Cristo.

O arco-cruzeiro também é ricamente decorado, com talha dourada e pequenos painéis em molduras octogonais pintados no estilo oriental, em ouro sobre azul. O forro traz episódios da vida de Maria e, nas paredes laterais, aparecem cenas da Sagrada Família. Toda a decoração interna forma um conjunto muito harmonioso, marcado pela combinação de ouro, vermelho e azul, cores que reforçam a influência oriental e lembram a estética da louça de Macau, bastante comum no Brasil naquele período.

Fotos: Leonardo Fonseca/BHAZ

Igreja de Nossa Senhora do Carmo

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo começou a ser construída em 1763 pela Ordem Terceira do Carmo, com projeto do mestre Tiago Moreira. As alterações da fachada, feitas entre 1771 e 1774, contaram com a participação de Aleijadinho, a quem se atribuem a portada e as principais esculturas em pedra-sabão do frontispício. Ele também trabalhou nos púlpitos, na balaustrada do coro e nas imagens de São João da Cruz e São Simão Stock, concluídas em 1779.

Por dentro, a igreja de Sabará apresenta piso de campas, forros curvos decorados e grades de madeira torneada que se repetem no coro, em estilo rococó. Entre os destaques estão os atlantes laterais, os púlpitos com cenas do Novo Testamento e os altares do arco-cruzeiro, conhecidos pela qualidade da talha. As pinturas principais são de Joaquim Gonçalves da Rocha.

Fotos: Leonardo Fonseca/BHAZ

Igreja de Nossa Senhora do Rosário

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, criada em 1713, decidiu substituir a antiga capelinha de madeira por uma igreja de alvenaria. A construção começou em 1767, mas nunca avançou de forma contínua: faltava dinheiro, e a obra era retomada e interrompida várias vezes. Ao longo do tempo, diferentes mestres foram chamados para continuar os serviços, mas nenhum conseguiu levar o projeto até o fim. Entre 1856 e 1878, a irmandade ainda tentou concluir a igreja, porém a comunidade negra começou a se dispersar no período que antecedeu a Abolição, o que enfraqueceu o grupo e impediu que a obra fosse finalizada.

Fotos: Leonardo Fonseca/BHAZ

Capela de Santo Antônio (Capela de Santo Antônio do Pompeu) 

Localizada no bairro Pompéu, a cerca de 7 km do Centro Histórico de Sabará, é uma das mais antigas do município. Não existem documentos sobre a construção da capela, mas um registro de batismo de 1731 comprova que ela já estava de pé naquela época.

A autoria da ornamentação também é desconhecida, mas tudo indica que tenha sido feita no começo do século XVIII. O único altar apresenta características da primeira fase do barroco em Minas. A decoração mais rica está na capela-mor: o retábulo se destaca pela quantidade de detalhes e pelo uso de dourado, azul e vermelho. Embora siga o barroco inicial mineiro, o conjunto já mostra sinais de evolução do estilo. Também há traços de influência oriental, perceptíveis nas pinturas da talha e no estilo dos anjos.

À frente da igreja funciona um pequeno cemitério, onde estão sepultadas figuras importantes da história local. Entre elas está Maria do Pompéu, dona do primeiro restaurante do bairro e homenageada no Festival do Ora-pro-nóbis deste ano, referência na gastronomia tradicional da região.

Fotos: Leonardo Fonseca/BHAZ

Amanda Serrano

Com experiência nas principais redações de Minas, como Jornal Estado de Minas e TV Band Minas, além de atuação como assessora política, Amanda Serrano é, atualmente, repórter do Portal BHAZ. Em 2024, fez parte da equipe vencedora do Prêmio CDL/BH de Jornalismo.
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