No quintal das casinhas coloniais em estilo barroco de Sabará, o solo fértil favoreceu o plantio de uma fruta que ficaria conhecida como “ouro negro” da cidade: a jabuticaba. A história da frutinha no município começou a ganhar forma muito antes de 1987, quando foi realizado o primeiro Festival da Jabuticaba de Sabará. À época, os moradores descobriram na fruta algo que ajudaria a fomentar a economia da região e se tornaria parte da identidade da cidade.
O quintal da família Torres é um dos vários que ajuda a manter viva essa tradição. A história de Elizabeth Antônia Torres Braga com a jabuticaba começou a muitos anos atrás, com os seus bisavós.
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A força da produção artesanal que mantém tradições de pé
Atualmente, Beth é presidente da Associação de Produtores de Derivados da Jabuticaba de Sabará (Asprodejas) e faz questão de manter um legado que o avô dela, Pedro Tomé Torres, ajudou a construir. “Todos os quintais das casinhas no centro histórico tinham um pé de jabuticaba. Como dá muito, os moradores começaram a produzir derivados com a fruta e levar para vender na praça. Isso foi crescendo cada vez mais e os produtores sentiram a necessidade de ter algo mais estruturado, foi aí que surgiu o Festival da Jabuticaba”, explica.


Em 2008, o festival foi tombado como patrimônio histórico cultural e a jabuticaba passou a ser patrimônio imaterial da cidade. Segundo a prefeitura, desde 1970, a fruta se tornou o principal produto econômico da cidade, fazendo jus ao termo “ouro negro”.
“Sabará é a terra da jabuticaba e nós valorizamos muito essa tradição, nossas raízes”.
Beth conta que a fruta ajuda a gerar renda para vários setores do município. “Gera renda, gera emprego. Principalmente nesse período do festival, a geração de renda é pra todos, pro comércio, para nós produtores. Ficamos na expectativa, esperando a data do festival para que a economia circule pelo município”, afirma
Jabuticaba é pertencimento pra quem é de Sabará
A Asprodejas conta com cerca de 28 produtores, que fazem questão de preservar a produção artesanal dos derivados da fruta, como geleias, licores, cachaças, queijo, vinhos e até cervejas. “Realizamos um concurso todo ano de melhor geleia, melhor licor e melhor produto inovação, que faz com que os produtores busquem e aprimorem a qualidade de seus produtos”.
Em 2018, Sabará recebeu o selo de indicação geográfica (IG), do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que reconhece a autenticidade dos produtos feitos de jabuticaba cultivada no município. “Isso veio para valorizar ainda mais o nosso produto. É uma realização ver o nosso produto sendo reconhecido cada vez mais”, revela.



Além da produção, alguns produtores também oferecem um turismo de experiência, no qual os visitantes podem degustar de alguns produtos e comer jabuticaba direto dos pés. “No Quintal Torres, essa experiência ocorre durante o período da safra, quando os turistas podem provar nossos derivados e ainda receber uma pequena aula de como fazer a geleia ou algum outro produto. É uma experiência completa”, explica Beth.

Beth explica que vem gente de todos os lugares para fazer o turismo de experiência e alugar os pés de jabuticaba… isso mesmo, você pode alugar os pés e comer a fruta da maneira “raiz”. Nós saímos de Belo Horizonte até Sabará, um trajeto curto, mas suficiente para entender por que tanta gente inclui o passeio na rota: é a chance de degustar a versatilidade dos sabores que uma frutinha tão pequena pode proporcionar.
Como disse a presidente da associação, a jabuticaba significa “pertencimento”, principalmente para quem é de Sabará, e imergir nessa cultura, mesmo que um pouquinho, foi saborosamente divertido.
“Eu tenho esse pertencimento, cresci no meio dessa fruta e a valorizo muito”, declara.
O tipo de passeio e os valores dependem da quantidade de pessoas. Os interessados em ter a experiência no Quintal Torres podem entrar em contato pelo telefone (31) 98774-1008 ou através de um guia turístico.











