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Minas Gerais tem 2 destinos na disputa de melhores vilas turísticas do mundo

02/07/2026 às 20h04
parque do ibitipoca, minas Gerais
Crédito: Pedro Rocha Franco

Dois municípios de Minas Gerais estão entre os sete destinos brasileiros selecionados para concorrer ao prêmio “Melhores Vilas Turísticas do Mundo”, promovido pela ONU Turismo. Conceição de Ibitipoca, na Serra da Mantiqueira, e Delfinópolis, na região da Serra da Canastra, foram escolhidos pelo Ministério do Turismo após seleção de dez inscrições e agora disputam o reconhecimento internacional com outras 261 vilas espalhadas pelo globo. O resultado será divulgado em dezembro, em Buenos Aires, na Argentina.

Criado em 2021, o selo reconhece destinos rurais que se destacam pela valorização do patrimônio cultural e natural, pelo compromisso com a sustentabilidade e pela promoção do desenvolvimento local. Entre os critérios de participação estão ter população de até 15 mil habitantes, estar situada em uma paisagem com presença significativa de atividades tradicionais — como agricultura, silvicultura, pecuária ou pesca — e compartilhar valores e estilo de vida comunitário.

Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, o prêmio é um reconhecimento ao compromisso com a sustentabilidade e com a preservação do patrimônio histórico e cultural. “O turismo rural e de natureza é um dos maiores motores de inclusão social e geração de emprego e renda que temos hoje. Ele fixa o homem no campo, valoriza o sentimento de pertencimento e distribui riqueza de forma justa”, afirmou.

As vilas mineiras na disputa

Conceição de Ibitipoca, distrito de Lima Duarte, preserva um rico patrimônio histórico e cultural ligado aos antigos caminhos do ciclo do ouro. Com cerca de 1.100 moradores, é conhecida pela proximidade com o Parque Estadual do Ibitipoca, um dos principais destinos de ecoturismo do país, que reúne trilhas, cachoeiras, grutas e experiências voltadas ao bem-estar e à contemplação da natureza.

Já Delfinópolis alia turismo de natureza, cultura e produção rural. O município é reconhecido pelas inúmeras cachoeiras, trilhas e paisagens naturais, além da tradição na produção do queijo Minas artesanal da Canastra e do café da Canastra — produtos que reforçam a identidade local e enriquecem a experiência dos visitantes.

Completam a lista brasileira na disputa Araçá (Porto Belo/SC), Holambra (SP), Lençóis (BA), São José do Barreiro (SP) e Vila Flores (RS). Ao todo, contabilizado este ano, 27 vilas turísticas brasileiras já foram indicadas ao prêmio. Duas delas alcançaram o reconhecimento internacional: Testo Alto, em Pomerode (SC), conhecida pela Rota do Enxaimel, e Antônio Prado (RS), referência na preservação da herança da imigração italiana.

Minas Inédita: governo estadual lança programa para revelar distritos e povoados desconhecidos

O reconhecimento das vilas mineiras na disputa internacional chega no momento em que o Governo de Minas Gerais se prepara para lançar o programa Minas Inédita, iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) que pretende colocar em evidência distritos, vilas e povoados pouco conhecidos do estado, apostando no turismo de experiência, no patrimônio cultural e na geração de renda para comunidades do interior.

Segundo levantamento da Secult, Minas reúne mais de 4 mil distritos, vilas e povoados que preservam tradições, arquitetura, gastronomia e modos de vida ainda pouco explorados pelo turismo. De acordo com o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, a proposta surge da percepção de uma mudança no comportamento dos viajantes, cada vez mais interessados em destinos autênticos e experiências ligadas à cultura local.

“A experiência [turística] vai se dar através do original, daquilo que é próprio e perto da verdade, em lugares que provocam pertencimento. Na roça é onde está a essência dessa Minas”, explicou Leônidas em entrevista ao BHAZ.

A primeira fase do Minas Inédita consiste no cadastramento de localidades interessadas. Mais de 200 distritos já foram identificados como aptos a receber visitantes, e cerca de 40 serão selecionados para uma primeira rodada de divulgação, com visitas de jornalistas, influenciadores e agentes do setor turístico. O programa prevê ainda a criação de um catálogo turístico e integração com ações de preservação patrimonial conduzidas pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG).

“Onde estão as cachoeiras? Não estão nas cidades, estão nos distritos. Então, nós vamos trabalhar a municipalidade para além da cidade”, destacou Leônidas. A expectativa da Secult é atrair principalmente visitantes do Cone Sul — argentinos, chilenos e uruguaios —, mercados com conexões aéreas diretas com Belo Horizonte e interesse crescente por experiências culturais mais originais.

Pedro Rocha Franco

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

Pedro Rocha Franco

Email: [email protected]

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

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